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21 de dezembro de 2010

Talvez não tenha sido um pesadelo

Tive um sonho.
Sonhei que estava gravemente doente; nunca havia me imaginado naquele estado. Foi inexplicável, mas senti a vida se esvair do meu corpo. Havia me transformado em apenas um conjunto de ossos, que não mais sustentavam o meu corpo e representavam um peso terrível na vida dos poucos que se mantiveram por perto.
Ao acordar, foi inevitável não pensar na vida. Em como o nosso corpo não vale quase nada... e em como as coisas podem mudar, independentemente da nossa vontade.
Morrer é um dos meus medos. Talvez um dos maiores. Junto a este está o da solidão.
Isso mesmo! São duas coisas das quais tenho medo... ou melhor, pânico. A morte e a solidão, não necessariamente nessa ordem.
Acho que o medo advém do meu perfeccionismo. Não gosto de nada mal feito, muito menos de deixar as coisas pelas metades. Mas algum dia isso irá acontecer. Não posso adivinhar quando, nem o que deixarei por fazer... mas deixarei.
Sei que quando vivemos, a partir do momento em que entramos nesse processo, de alguma forma começamos a morrer. Porque no avesso da vida, há sempre um processo de morte. O hoje é mais um dia que vivi e menos um que irei viver.
Este tipo de pensamento pode ser bastante conflituoso, afinal temos sempre a tendência de querer um minuto a mais; um pouco mais de tempo para terminar o inacabado e talvez até começar algo novo... algo interminável e que nos sirva como garantia de sobrevivência.
Meu pai sempre diz que não devemos pensar na morte como um motivo de desespero e pessimismo. Algum dia, para o meu próprio bem, eu espero alcançar também esse ponto de vista.
Pensar na vida e nos seus avessos é importante. Saber que podemos viver o hoje intensamente, mas que no avesso desse viver intensamente já existe um processo de morrer. Acredito que viver intensamente é, antes de qualquer coisa, não limitar a nossa experiência de vida à nossa biologia. O meu próprio curso me mostra o quão maravilhosa é a “maquinaria humana”. O quão perfeitas são as engrenagens que nos movem, sejam elas macro ou microscópicas. Tudo funciona em perfeita harmonia para alcançar o nosso bem-estar. Mas com o passar dos anos as engrenagens vão se desgastando, enferrujando e, mais cedo ou mais tarde, cessam o seu trabalho.
É assim que acontece. CERTAMENTE, o corpo irá envelhecer. Alguns de uma maneira melhor do que os outros, dependendo das escolhas que foram feitas anteriormente. Esse foi outro aprendizado que adquiri na faculdade e na vida: a qualidade da nossa velhice está ligada à maneira que escolhemos viver a nossa juventude.
Mas quando me referi à vida, não quis dizer apenas vida biológica. Falo, principalmente, daquilo que em vida não sabemos nomear. Daquilo que é vivo em nós e que não pode ser visto.
Por vezes carregamos dentro de nós angústias, sentimentos negativos, tristezas... “Corpos estranhos” que não podem ser vistos em nenhum tipo de exame, mas que não deixam de ser perceptíveis!
Percebemos a tristeza e a amargura alheia quando descobrimos que o outro está morrendo lentamente... não no corpo, no que é biológico, mas nas suas esperanças. Quando deixa de eleger a melhor parte da vida... quando deixa de ter o brilho nos olhos.
Já disseram, sabiamente, que “os olhos são a janela da alma”. E são.
Através do olhar nos comunicamos tão bem, ou até melhor, como quando usamos as palavras.
Não há nada melhor do que enxergar em um olhar uma boa notícia. Ter a certeza de aquele que o sustenta está confortável em sim mesmo. Mas essa experiência do corpo não se limita à matéria. Conforto em nós mesmos é estarmos satisfeitos por vivermos como vivemos, por fazermos o que fazemos e por estarmos onde estamos. É uma felicidade que não é utópica. É até mais que isso! É uma realização humana que nos notifica o tempo todo como alguém que está “dando conta” da existência.
Na vida a gente perde muito tempo com o que é acidental. Há muitas coisas essenciais que deixamos de lado por aquilo que é basicamente obra do acaso.
Inúmeras vezes nos ocupamos daquilo que verdadeiramente não é importante... que podemos passar sem. Deixamos de colocar a nossa intenção e o nosso empenho naquilo que realmente faz diferença.
Éh... às vezes a gente perde muito tempo na vida! E assim, vamos morrendo aos poucos. Não o corpo! Mas as esperanças... os sonhos... simplesmente porque deixamos de cuidar do que é essencial.
Morrer no corpo é o natural da vida. Mas morrer nas esperanças não!

Vida longa a todos nós!

4 de dezembro de 2010

Tomando posse!


A pior solidão é aquela que nos ausenta de nós mesmos.
Porque não é suficiente que existam milhares de pessoas ao nosso redor, se nós não ocupamos o nosso lugar, se nós não nos habitamos. E ao invés de possuirmos o nosso domínio, passamos a ser o território das vontades e da satisfação dos outros.
E sem que possamos perceber, começamos a viver e a buscar, exclusivamente, a satisfação alheia.
De repente, quando nos damos conta, começamos a perceber que estamos vivendo tanto “para fora” que nos esquecemos de viver um pouco em nosso interior. É assim que descobrimos que há algo errado acontecendo... porque, mesmo que inconscientemente, sabemos que só é possível viver com qualidade “para fora” quando sabemos cultivar a nossa intimidade.
Para mim, ser ausente de si mesmo, é não ter o cultivo diário daquilo que somos. É não investir, mesmo que conhecendo o seu valor, nas nossas peculiaridades.
Todos os dias roubamos e somos roubados. E é muito difícil estabelecermos um limite.
Quanto do meu território eu posso permitir que o outro entre e tome posse?
Amizade, namoro e qualquer outro tipo de relacionamento baseia-se nisso, na autorização que damos ao outro para que ele entre em nossas vidas.
Mas, infelizmente, não é sempre que as pessoas entram com responsabilidade no território que pertence a nós. Muitas vezes agem desrespeitosamente... muchucam... ferem. E sabendo disso ou não, "vão embora".
E ao partirem levam consigo algo que nos pertence... uma pequena porção da nossa essência. E então, ficamos com aquela sensação de vazio e começamos uma nova busca por algo que possa nos preencher novamente.
Mais uma vez, como em tantos outros momentos de nossas vidas, serão as palavras e a presença daqueles que nos amam que irão nos direcionar. Porque se verdadeiramente nos amam, nos conhecem, nos respeitam e nos aceitam como somos... e assim, vão nos guiar de volta para “casa”...

...porque “há pessoas que nos roubam... e há pessoas que nos devolvem!”. **


(**Frase do livro Sequestro da subjetividade do Pe. Fábio de Melo.)


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Texto especialmente dedicado à Maria Clara... a minha Fofolete!

18 de novembro de 2010

Vivendo levemente!

Hoje fui pega de surpresa pela pergunta mais inusitada que já escutei.
“- Áh, Bruna... me ensina qual a melhor maneira de sofrer?
- Ensinar um jeito certo de sofrer?
- É!
- Mas por que eu?
- Porque você parece que não sofre!”


Nem sei dizer ao certo o que senti quando ouvi esta pergunta. Provavelmente um misto de surpresa e satisfação. Surpresa porque essa era a última coisa que eu esperava escutar, ainda mais hoje. E satisfação por saber que consigo não transmitir aquilo que me faz mal.
No momento da conversa, talvez por ser pega tão desprevenida, não consegui nem responder. Mas sabe quando as palavras ficam ecoando em nossa mente?
Foi assim que cheguei a uma conclusão. Não há receitas que nos possibilitam sofrer de um jeito certo. Há apenas visões diferentes do que nos causa sofrimento. O que muda não é a maneira como se sofre, mas o ângulo do qual enxergamos as adversidades da vida.
Há sofrimentos que são redentores. São aqueles em que descobrimos a razão do sofrer. Por exemplo, a “perda” de alguém, certamente, é um dos acontecimentos que mais nos causa dor. Se vivermos este sofrimento de maneira infértil, ou seja, sofrendo por sofrer, deixando que a raiva manipule os nossos sentimentos, sofreremos dobrado; porque não teremos nos desfeito do que nos causa o mal.
São vários os estágios do sofrimento: amargura, raiva, tristeza, depressão... E é preciso que saibamos viver e administrar cada etapa, caso contrário entramos em um ciclo vicioso, uma etapa provocando e agravando a outra.
Então, qual a melhor maneira de sofrer, já que não existe um jeito certo?
Primeiramente, sendo honesto. Colocar a questão que nos faz sofrer e perguntar: SERÁ QUE VALE A PENA SOFRER TUDO O QUE EU ESTOU SOFRENDO POR ISTO?
Às vezes nós sofremos tanto por coisas que não valem à pena. Perdemos muito tempo de nossas vidas com coisas que em nada nos acrescentam, que são passageiras, e que, na maioria das vezes, nos faz sofrer demoradamente.
Não! A gente precisa administrar isso. E o único jeito de fazê-lo é racionalizando.
O que provoca o sofrimento dentro de nós é a maneira que nós pensamos nele. Uma idéia vai me fazer mal, à medida que eu a alimento dentro de mim. Entretanto, se eu a substituo por outra que me faz bem, logo eu começo a superar a dor. Eu começo a superar o sofrimento.
Então ao buscar esta realização, podemos até ser “felizes” no momento da tristeza, ou melhor, sofrer de uma maneira mais leve. Para isso, basta que olhemos o que nos faz mal de um jeito novo, sem nos amargurarmos tanto, sem estender além do necessário a experiência que poderia ser curta.
Viver de forma mais leve é fazer um pacto de amizade com a vida, e há pessoas que escolhem não fazê-lo.
É preciso que tenhamos consciência de que todos sofrem! Não adianta pensar que é um privilégio seu sofrer, porque não é!
O sofrimento está em todos nós, sem exceção! E não podemos parar a nossa vida às custas disso.
Quando administramos bem o nosso sofrimento, crescemos como pessoas, ficamos mais interessantes e passamos a ter mais conteúdo, mais história para contar.
E o conteúdo da vida está diretamente relacionado com o que nós sabemos fazer com os fatos, com aquilo que nos ocorreu. É isso que mais cedo ou mais tarde a gente vai poder relembrar e contar, e o melhor, aconselhar aqueles que estão passando pela mesma situação e não sabem como agir. Ao cuidarmos bem da nossa vida, ajudamos a administrar a vida do próximo. Porém, de nada adianta querer administrar a vida do outro se você não o faz com a sua.
Primeiro tenha responsabilidade com aquilo que é seu e somente depois preocupe-se com aquilo que transmitirá aos demais!

16 de novembro de 2010

O desafio está lançado!

Um dos maiores desafios que nós precisamos enfrentar na vida, além dos muitos outros que enfrentamos todos os dias, é o de sermos honestos com a gente mesmo.
Enfrentar a desonestidade do outro é até suportável, porque no final podemos sair como vencedores, uma vez que depois que quebramos o poder daquela “traição” podemos restabelecer a ordem e até crescer a partir daquilo. Mas no momento em que somos desonestos conosco, as possibilidades de superação passam a ser mínimas, já que esta mesma desonestidade vai alimentando um jeito de ser.
Quando a mentira vem do outro, eu o olho nos olhos, digo algumas verdades e volto a harmonizar meu coração. Porém, quando a desonestidade está dentro de nós mesmo, então não há como esbravejar.
É preciso que sejamos muito sinceros com nós mesmo, com o nosso processo humano, com as nossas escolhas, com tudo aquilo que permitimos que entre ou não em nossas vidas, pois somos todos cheios de contradições.
Cada um, no íntimo, conhece as contradições que possuem. Somente você sabe onde aperta a pedra no seu sapato... onde está a sua fragilidade, a parede frágil da sua casa, da sua vida... somente você sabe onde é que está a trinca que precisa de reforço.
Mas se formos desonestos, se fingirmos que não sabemos, se fingirmos que não vimos, e começarmos a protelar essa mudança, jamais chegaremos ao resultado que nós merecemos. Quantas vezes as soluções não chegam em nossas vidas?
Não chegam, justamente, porque nos falta a coragem de assumir que erramos. Nos falta a coragem de dizer: “olha... desculpa. Eu errei! Eu não queria errar, mas errei!”
A cada dia acredito mais nos meus princípios: assumir a nossa fragilidade, o nosso erro, não é assinar um atestado de fraqueza. É o primeiro passo, o mais importante, para o nosso sucesso.

14 de novembro de 2010

Precisa-se de reforma!

Eu fico o tempo todo intrigada com a questão de o quanto precisamos crescer como pessoas... de como é difícil viver.
Adélia prado, uma das minhas poetizas favoritas, fala muito bem sobre esse dilema de ser humano.
Não é brincadeira ser humano. Ser humano dá muito trabalho e é por vezes doloroso.
É muito doloroso sermos quem somos... lidar com as nossas questões. Todos nós sabemos muito bem disso.
Sabemos, não por termos lido em algum lugar o quanto é difícil viver, mas por sentirmos na pele, todos os dias de nossas vidas, o quanto temos que lutar para dar conta das nossas questões.
Fico me perguntando o que nós precisamos fazer para sermos diferentes, para sermos pessoas melhores?

O que precisamos mudar em nossos corações para que isto possa acontecer?
Creio que cada um de nós tem um cantinho de si mesmo que precisa de reformas. Cabe a nós consertá-lo.
Porque se não reparamos o pequeno detalhe, o tempo nos transforma em uma grande peça estragada. E este é, realmente o nosso grande problema, já que não podemos nos desfazermos de nós mesmos e comprar um novo exemplar.
É a partir do que já existe que nós podemos mudar. Trata-se de trazer o brilho do que é novo para algo que esteja velho e desgastado.
O ser humano tem jeito. Nós temos conserto. Às vezes nos desanimamos e até pensamos que já é tarde demais, mas não devemos acreditar nisso. Basta descobrir o que em nós necessita de reparo e não ter medo da luta.
Trabalhe para que o que está danificado e fragilizado seja consertado. Mas não se esqueça, é preciso ser cuidadoso, porque às vezes a nossa tentativa de conserto acaba por destruir o pouco que ainda resta.
E para não errar, apele para aqueles que o guardam no coração... para aqueles que o amam incondicionalmente. Acredite, você jamais conseguirá sem eles...
...Porque somente quem nos ama, nos reforma do jeito certo.