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30 de janeiro de 2011

...E então, o que significa amar?!

Adoro conversas espontâneas! São sempre muito profundas e nos fazem pensar sobre um determinado assunto o dia inteiro.
Ainda ontem tive uma dessas conversas com uma amiga... ficamos horas conversando sobre as ciladas amorosas que a vida insiste em nos pregar e depois de muito mais ouvi-la do que falar (porque eu não sabia mesmo o que dizer) resolvi escrever essas palavras.
Depois de muito pensar (sobre os nossos casos), cheguei à conclusão de que amar alguém é vivermos o exercício constante de não querermos fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse.
A experiência dos diversos tipos de amor passa sempre pela consciência de que o outro é alguém que me encontra, e, a partir deste encontro, haverá uma transformação em nós mesmos. Transformaremo-nos pois é impossível ficarmos indiferentes diante do que chega, do que é novo.
Nenhum de nós tem o direito de modificar alguém e fazer deste a nossa imagem e semelhança. Por um motivo bem simples! Nós não somos capazes de sabemos o que o outro ainda pode como pessoa. Então, quem somos nós para dizer como o outro será?
Certamente, a experiência de amar e ser amado é, antes de tudo, a experiência do respeito.
Por exemplo, eu, que tenho posse daquilo que sou, encontro-me com alguém, que também tem posse do que se é, para que juntos possamos nos dividir. E quando pensamos o contrário instalamos o caos e passamos a sentir falta do outro, quando, na verdade, estamos sentindo falta de nós mesmos.
Se pensarmos bem, nos recordaremos de muitas pessoas que vivem uma extrema necessidade de cuidar dos outros. E se pensarmos melhor ainda, veremos que na verdade isso não passa de um desesperado pedido de socorro... CUIDEM DE MIM, pois não tenho ninguém nessa vida.
Às vezes nos ocupamos em querer salvar o mundo, quando na verdade estamos buscando a nossa própria salvação.
E diante de tudo isso, fico me perguntando como é que está a nossa capacidade de amar? Será que temos amadurecido para isso? Ou será que ainda buscamos em outras pessoas a satisfação das nossas necessidades?
Há uma grande diferença entre amar por necessidade e amar por valor. Amar por necessidade é aquele desejo constante de que o outro satisfaça o que esperamos dele. E amar por valor não... é não esperarmos nada do outro e nos sentirmos livres diante dele. Amar por valor é amar com toda a gratuidade do mundo. É quando o outro já perdeu toda a utilidade que tinha em nossa vida, mas mesmo assim, continuamos olhando em seus olhos e dizendo: EU NÃO SEI VIVER SEM VOCÊ!
Porque enquanto o outro ainda for útil, pode ser que não seja amor. Pode ser que estejamos buscando apenas a satisfação das nossas necessidades. Mas se ele perde a utilidade e nós não conseguimos dizer nosso nome sem lembrarmos do dele, então isso sim é amor de verdade.
No momento em que passa a utilidade é que vai sobrar, de fato, o que somos. No momento em que não existir absolutamente nada do que é atraente em nós, é que vamos nos saber amados.
Tudo vai ser perdido... o que realmente desejo é que não nos percamos de nós mesmos. Porque assim, certamente não morreremos na solidão.
Acredito que enquanto sobrar aquilo que somos e se, de fato, tivermos conquistado alguém através disso, jamais estaremos sozinhos.
Acabará a nossa utilidade, mas restará o nosso significado.
Porque o que significamos é muito mais importante do que aquilo que fazemos.
Saibam que o que fazemos não pode ser maior do que o nosso significado, pois chegará a hora em que não mais seremos capazes de fazer.
E a vida é isso, meus amigos... um convite para que a gente amadureça; para que possamos SER mais do que o que a gente FAZ.

29 de janeiro de 2011

'...E porque ela acreditava, eles existiam!'

Enquanto a vida corre lá fora, aqui estou eu tentando entender porque o improvável insiste sempre em acontecer.
Alheia a todas as opiniões, pergunto a mim mesma qual o propósito de tantas surpresas. Seria provar que não somos donos do nosso próprio destino?
Talvez.
Mas acredito que há algo mais. Algo tão sutil que ainda não consegui perceber.
Qual a razão de tantas mudanças? Qual a razão desses encontros tão imprevisíveis?
O que eu ainda não consigo enxergar?
Em nenhum momento da minha vida acreditei no que chamam de acaso. Com este, ando sempre de olhos bem abertos.
O acaso não passa de uma desculpa para trazer o inesperado à nossas vidas, sem que haja a preocupação de trazer consigo uma explicação. Mas esse vazio não me satisfaz... não preenche a lacuna que ainda existe em mim.
Certa vez me perguntaram se eu acreditava em anjos, respondi prontamente que sim. Mas com o passar dos dias, com as experiências vividas acabei esmigalhando essa certeza e deixando seus pedaços pelo caminho.
Pobre de mim, pensei. Sem anjos, sem destino, sem acaso.
E enquanto eu me perdia, havia alguém que, mesmo sem saber, catava os pedaços de “não sei o que” deixados para trás. Catava e guardava em si. Construía em sua alma o que eu acabara de destruir.
E guardou. Talvez por dias, meses, anos. Guardou até o nosso próximo encontro.
E quando me avistou ao longe na estrada em que caminhava, fez de tudo para chamar minha atenção. Foi então que uma leve brisa desarrumou os meus cabelos e me fez olhar para trás; lá estava, acenando e pedindo por um segundo de atenção.
Aproximou-se tímida e vagarosamente. Estava tão cansado e calejado da caminhada quanto eu. Parou, respirou fundo, como se fosse a primeira vez, e disse:
- Tenho comigo algo que lhe pertence.
E estendendo as mãos me ofereceu algo que eu não mais reconhecia.
- O que é isso? – perguntei.
- É a alma que você deixou para trás. Quando a encontrei estava em pedaços, mas fui até o fim do mundo para achar o último deles. E aqui está, inteira novamente.
- O senhor está enganado. Eu não perdi a minha alma.
- Mas então... – tentou entender o que se passava.
- Esta alma é sua.
- Como sabe? Acaso conseguiu entrar e conhecer a minha alma?
- “Eu nunca entrei na sua alma. Eu entrei na minha e a sua estava lá.”**
Era tanta esperança, tanta confiança, tanto desejo... ele pensou, pensou, pensou, e decidiu guardá-la em seu coração. Mas aquele coração que era grande, tornou-se pequeno demais para aquela alma.
Então, ao me ver partir, teve uma idéia.
Decidiu dividir sua alma ao meio. Uma das metades guardou folgadamente consigo; a outra, me entregou como um gesto de agradecimento.
E ao guardar comigo a metade da sua alma tive certeza de ela também tinha asas.
Se me perguntarem hoje se acredito em anjos, direi: não só acredito, como tenho o meu!
E ainda bem que ele me encontrou...

(**Frase adaptada do autor Rubem Alves)

28 de janeiro de 2011

Sem ponto final

Havia muita coisa diferente. Não sabia definir muito bem quais foram as mudanças, mas sabia que não era mais a mesma. Tornou-se cética e, muitas vezes, enxergava a vida com uma frieza que não lhe pertencia.
Deixou de acreditar em sentimentos verdadeiros, em amores a primeira vista e ignorou qualquer demonstração de afeto que, normalmente, acelerariam o seu coração. Perdeu o viço, o brilho no olhar. Convenceu-se de que deveria ficar sozinha e deixou para a ficção qualquer espécie de final feliz.
Ele sempre foi feito um mistério; trazia consigo um certo enigma que, por vezes era até capaz de enfeitiçar. E, embora fizesse questão de disfarçar, estava tão desacreditado como ela.
Ele a observava de longe. Aprendera a reparar seus gestos e movimentos , até aqueles mais sutis, que ninguém seria capaz de perceber. Já sabia reconhecer o seu sorriso, o seu andar, a forma como mordia levemente os lábios diante de uma dúvida e até o seu jeito de colocar o cabelo atrás da orelha.

Todos os dias tentava se encher de coragem e se aproximar daquela que ele já conhecia tão bem. Ensaiava horas em sua mente as melhores palavras e tentava encontrar um comportamento que não a assustasse tanto. Era certo que ele queria impressioná-la; mais que isso, queria tornar-se parte da sua vida.
Todos os seus ensaios e a coragem acumulada no decorrer de cada minuto eram estranhamente friáveis; bastava vê-la no final do corredor ou em meio a uma multidão para que todo o seu esforço fosse por água abaixo. Ele nunca foi o mais falante, o mais extrovertido, mas era inédito o efeito que ela exercia sobre ele.
Era assim que acontecia, ele arquitetava meticulosamente cada gesto, revisava todas as palavras, todas as frases, a fim de que não cometesse nenhuma gafe, mas bastava avistá-la para que esquecesse todos os seus planos. Ela o dominava de uma forma adoravelmente estranha.
No entanto, era orgulhoso demais para se dar por vencido. Não sabia como iria se aproximar, mas era certo que o faria.
Ela seguia a sua vida distante de boa parte daquilo que um dia desejou para ser feliz. Deu-se por vencida e decidiu concentrar-se apenas naquilo que fosse prático. Não mais fazia questão de ser tão passional e quis, pela primeira vez, apostar na razão.
Sem dúvida, para ela, essa era a melhor escolha.
A vida vai muito além das vontades próprias e obedecendo a esta verdade, quis então o destino que eles finalmente se encontrassem.
Ele surgiu no momento em que ela se sentia mais sozinha, quando já estava convencida de que as pessoas não eram tão boas e puras como pensava.
Ele entrou sem fazer alarde, sem sequer comunicar. Apenas chegou.
Mas era de se esperar que estivesse calejada demais para deixar-se levar tão facilmente. E se na defensiva ela estava, na defensiva ela iria permanecer.
Não seria fácil convencê-la a se arriscar mais uma vez, mas mesmo sem saber exatamente o que enfrentaria adiante ele não pensou, sequer por um segundo, em desistir. Percebeu então que precisava resgatá-la, o mais rápido possível.
- Feliz aniversário atrasado! – disse ele tentando controlar o tremor da sua voz.
- Como você sabia que ontem foi meu aniversário? – respondeu sorrindo enquanto tentava entender aquela aproximação.
- Eu vi quando cantaram “parabéns para você” ontem. Eu até cantei, você não viu?! – respondeu rindo, tentando ser simpático.
- Não vi. – sorriu.
- Toma, é para você! Assim não pode dizer que nunca te dei um presente! – disse ao entregá-la uma bala mastigável de maçã verde.
- Nossa! Não precisava! – respondeu sarcasticamente.
E sorriram.
Pronto! Dei o primeiro passo! – pensou ele orgulhando-se da sua coragem.
Então começaram a conversar. Começaram e não pararam mais. Gastavam horas e horas falando sobre tudo e sobre nada. Buscando em ambos as respostas que não encontravam em si mesmos. Ele a conhecia um pouco mais a cada dia e, a medida que a conhecia, tinha certeza de que sempre esteve certo, ela era a mulher da sua vida. E enquanto ele a amava, ela se perguntava se tudo aquilo era mesmo real.
Não foi muito difícil quebrar a sua resistência. Bastaram alguns meses, uma boa dose de sinceridade e paciência para que ela descobrisse que não estava tão diferente quanto pensara. Seu mundo voltou a ter as mesmas cores de antes e, ao mesmo tempo, percebeu que ser tão descrente não fazia mais o seu tipo.
- Ele é diferente... – pensava enquanto tentava se concentrar em outros afazeres.
E ele realmente era. Ele sabia como fazê-la sorrir, sabia olhá-la com atenção enquanto falava do quanto gostava de conversar com seu cachorro, sabia enxergar nela até o que ela mesma desconhecia. Ele a conhecia bem e sabia como ninguém provar isso.
- Eu quero ser diferente para ela! – dizia para si mesmo no silêncio da sua alma, enquanto lembrava de tudo o que ela havia lhe contado.
E fez por onde ser diferente. Fazia questão de sempre olhá-la nos olhos, de prestar atenção nos seus gestos, nas suas expressões, nas suas palavras. Não queria passar a impressão de que estava interessado apenas no fascínio que exalava do seu rosto, ou na suavidade do toque da sua pele. Queria ser mais que um amigo, um companheiro para todos os momentos. Alguém com quem ela pudesse contar.
Desejou que fosse assim, e foi.
Primeiro tornaram-se conhecidos. De conhecidos passaram a amigos. De amigos, a companheiros. De companheiros, tornaram-se almas gêmeas, metades de uma unidade.
- Eu amo você... – disse ela com uma voz baixa tentando, sem sucesso, não ser ouvida.
Ele sorriu o melhor dos seus sorrisos e respirou fundo, como se quisesse encher os pulmões de ar para gritar.
- Eu também... eu também te amo! – respondeu com voz firme – e vou amar para sempre!
Ele então tocou o seu rosto com as costas da sua mão. Sentiu a maciez da sua pele e o brando calor que se esvaía de suas bochechas rosadas. Aproximou-se dela. Sentiu a suavidade da sua respiração e o cheiro levemente adocicado do seu perfume. Aproximou-se ainda mais. A olhou nos olhos como quem quisesse desvendar os mistério do seu olhar. Desistiu. Resolveu então fechá-los e esquecer o mundo que havia ao seu redor.
Quando se deram conta, estavam se beijando.
Segundos, minutos, talvez horas, que os levaram para um universo que pertencia somente aos dois. Era difícil traduzir o que sentiam, mas estavam em paz... finalmente felizes. E ao se despedirem, prometeram fazer aquele momento durar por toda a vida.
Prometeram, mas quis os reveses da vida que não conseguissem cumprir.
Eles não queriam admitir, mas o destino estava aprontando uma das suas ciladas. E aquele sonho de amor infinito viu-se chegando ao fim. Ele já não era mais o mesmo e ela estava decepcionada demais para seguir em frente. Eis que surgiu o ponto final.
Sofreram em segredo no isolamento dos seus quartos. Choraram todas as lágrimas que puderam. E em meio à dor perceberam que o mundo não havia parado, continuava girando no seu ritmo frenético. Decidiram então juntar o que havia sobrado de suas expectativas, dos sonhos não realizados e guardar no fundo de uma gaveta, para que quando precisassem de uma boa recordação tivessem ao que recorrer.
Decidiram esquecer tudo e seguir por outros caminhos. Mas como conseguir se o destino insiste em aproximá-los? Como esquecer o passado se, a todo instante, ele se faz presente?

Hoje, distantes um do outro, permanecem tentando encontrar as respostas que a vida ainda não lhes deu. Insistem em tentar encontrar em outra pessoa a afinidade que só existe entre os dois e que, no fundo se suas almas, sabem que jamais encontrarão.
Há que diga que não mais irão se encontrar, que o ponto final é definitivo. Mas prefiro acreditar que o mundo dá voltas e que em um curto espaço de tempo muito pode acontecer. Não acredito que exista algo que seja definitivo, nem mesmo a morte, já que existe a promessa de uma vida eterna do lado de lá.
Se há um ponto final, prefiro acrescentar mais um... e mais outro. Pronto! Crio assim as reticências. A permissão que faltava para que pudessem ser felizes... felizes da única forma possível, juntos.

4 de janeiro de 2011

We're better together!

Hoje me ausentei de mim mesma para me concentrar apenas em você.
Fiquei pensando em todas as nossas atitudes... em tudo o que fizemos e deixamos de fazer.
E foi então que senti um aperto no peito que chegou a estrangular o meu ar; uma vontade de te abraçar e dizer que o que mais quero é estar contigo. Quando abri meus olhos vi que você não estava por perto. E para ser bem sincera, não sei por qual razão isso me perturbou tanto; afinal, muitas vezes o quis por perto e não o tive.
Muitas vezes desejei em vão o seu abraço, o seu carinho e a sua proteção. Muitas vezes quis trocar qualquer coisa por um mero segundo de atenção... por um momento em que estivéssemos a sós no mundo inteiro.
Não quero perder tempo revivendo um passado que não foi tão feliz. A ordem agora é otimizá-lo!
Já chega ter carregado a sensação de tê-lo perdido por tanto tempo. Já chega de negar meus sentimentos e também os seus!
Eu não quero mais dizer não. Nem para você, nem para mim.
Já que a vida nos deu uma segunda chance, por que não aproveitá-la?!
O que desejo hoje não é nada além daquilo que sempre quis para nós. Não vejo a hora de preocupar-me apenas em ser feliz contigo. Entretanto, quero mais do que simplesmente estar por perto como, na verdade, sempre quis. Quero sentir-me livre em sua companhia e fazer tudo o que outrora não fomos capazes.
Perdemos muitas oportunidades, as outras, nos roubaram; mas existe algo maior que ainda nos quer juntos. Há uma força, talvez até sobrenatural, que nos une.
É verdade que nos amamos, que nos queremos bem, mas muitas vezes a razão tenta nos convencer de que fomos feitos para vivermos platonicamente. Por favor, não dê ouvidos a ela! Escute a voz que grita, ou sussurra, dentro de você. Não desista do nosso futuro, dos nossos planos. Queira a minha companhia, o meu abraço, o meu beijo, tanto quanto eu quero os seus!
Não desista de nós dois... não nesta altura do campeonato! Não agora quando a vida nos oferece uma chance para recomeçar!
Acredite em tudo o que vivemos e, sobretudo, naquilo que iremos construir.
É difícil, eu sei. Há sempre uma pedra no caminho, um obstáculo para transpor; mas estes não são infinitos... infinito mesmo é o nosso amor.
Então, Meu amor, não se dê o luxo de desanimar! Mas se isso acontecer faça como eu: feche os olhos, coloque a nossa música para tocar, pense em todos os nossos planos e sonhos, nas nossas promessas de nos fazermos felizes, e descubra um novo motivo para lutar.
Esse é o meu convite hoje... queira, incessantemente, o meu amor. Venha lutar por nós ao meu lado!

28 de outubro de 2010

Um dia como porta-voz!

Aqui estou com a difícil missão de tentar expressar sentimentos que não são exclusivamente meus.
Foi a primeira vez que alguém me pediu para escrever sobre seus próprios sentimentos. Tentarei, humildemente, corresponder a esta expectativa.
Eis o tema:
“O valor que há em aproveitar o amor e as pessoas amadas.”
A função desse texto não é explicar a importância desse sentimento, mas a diferença que há entre dá-lo ou não o seu devido valor.
Não acredito quando ouço alguém dizer que não sabe o que é o amor. Não acredito porque a capacidade de reconhecê-lo é inerente até àqueles que são considerados irracionais. Nasce conosco e fim de conversa. Se não o reconhecêssemos não haveria relacionamentos duradouros nem amizades verdadeiras.
Cada um de nós vem ao mundo com um dispositivo reconhecedor de amor. Ao ser ativado ele causa algumas alterações fisiológicas como o aumento das frenquencias cardíaca e respiratória, sudorese e uma revoada de borboletas estomacais.
Reconhecer, todos reconhecem... o que é passível de escolhas é a etapa seguinte: dar ou não o seu devido valor.
Quando nós humanos começamos a povoar o planeta, fomos reconhecidos como seres superiores, tendo em vista a nossa capacidade intelectual. E talvez, graças à habilidade de sermos racionais, recebemos como prêmio adicional o livre arbítrio; aquela “lei” que diz que somos donos e responsáveis pelo nosso destino.
A possibilidade de nos sentirmos senhores de nós mesmos trás consigo uma carga ‘divina’ e, muitas vezes, a falsa impressão de que somos auto-suficientes.
A vida é cheia de escolhas e a maioria delas envolve uma renúncia. Infelizmente, nem todos reconhecem que para se agarrar alguma coisa, é necessário que nos desprendamos de outra. E assim, permanecem na mesmice. Ao contrário do que muitos pensam, o ato de renunciar alguma coisa não significa desvalorizar, mas sim uma organização de prioridades. A renúncia também não é sinônimo de esquecimento; e foi para esse tipo de ocasião que foram criadas as lembranças... partes importantes de nossas vidas que ficam seguramente guardadas em nossa memória e que, por nos fazerem tão bem, são facilmente acessíveis.
Dentre todas as escolhas que a vida nos impõe, acredito que a mais importante seja a que nos permite aproveitar aqueles que amamos, porque de nada adianta amarmos em silêncio. O amor foi feito para ser anunciado, difundido e disseminado em proporções epidêmicas. E acredite, não há razões lógicas que possam justificar a vontade de se esconder um sentimento tão sublime.
Amar faz bem, mas os benefícios de compartilharmos o nosso amor com outra pessoa é exponencialmente superior. Porque ao fazê-lo passamos a enxergar o mundo de outro ângulo... um ângulo que nos permite a aquisição de novas habilidades. Dentre as mais importantes está a capacidade de, a partir de então, conseguirmos observar detalhes queantes eram imperceptíveis. E é justamente essa “sensibilidade à flor da pele” o principal ingrediente para nossas overdoses de felicidade. É ela a responsável por nos fazer sorrir diante das reações mais corriqueiras da pessoa amada; e que também nos faz sentirmos completos ao simples toque das mãos. Além disso, esta sensibilidade exacerbada nos coloca em um estado permanente de alerta, o qual nos permite identificar qualquer tipo de alteração, mesmo as mais sutis, que geralmente passam despercebidas diante dos olhos alheios.
E agora me responda, de que vale amar uma pessoa, amar muito, se esse amor não se concretiza? O que se ganha amando alguém sem poder compartilhar com esta pessoa a sua vida? De que vale amar sem abraços, sem beijos e sem confidências? O que ganhamos nos privando de nos sentirmos felizes diante das coisas mais simples da vida? Se temos a chance de andarmos em um parque de mãos dadas e rindo das coisas mais bobas, por que escolher percorrer o mesmo trajeto sozinhos?
Na vida tudo perece, apenas o amor é capaz de frutificar e, assim, existir por toda eternidade. O que realmente vale na vida é valorizar o amor e respeitá-lo. E de que forma o fazemos?
Muito provavelmente quando reconhecemos que não existimos sozinhos... e que cada um de nós somos metades que buscam incansavelmente a unidade. Dois que passarão a ser um. E o respeito está no fato de concretizarmos o sentimento... na vontade incontrolável de torná-lo real!
Como já havia dito anteriormente, a vida é feita de escolhas e o fato de se escolher viver um grande amor não é sinônimo de sucesso. Muitas vezes, diante das adversidades, ele é interrompido, o que pode gerar sérios danos ao nosso coração (e repare que eu disse interrompido porque, para mim, o amor não se conjuga no passado). Mas a vida sempre segue adiante. O mundo não pára... e mais importante, ele dá voltas; e a partir de então, tudo pode acontecer! E enquanto o universo conspira, poderemos recorrer às nossas lembranças. Àqueles momentos que ficaram na história e que jamais serão esquecidos... momentos para os quais nos teletransportamos quando provar, novamente, a felicidade mais sincera e verdadeira se faz necessário.
Só se vive um amor plenamente, valorizando-o e respeitando-o, quando não existe em nós o medo de se arriscar.
A única coisa que realmente importa é que sejamos felizes... e acredite, a sua felicidade só depende de você!
Faça a sua escolha!

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Escrevi este texto a pedido de uma GRANDE amiga, Juliana ("Jujuba")... Espero que goste, Juh!

Amo você!

21 de julho de 2010

Depois do amanhã

E quando questionada sobre como estava, ela disse:
- Nunca se preocupe comigo porque eu tenho estado morta. Fora do meu corpo, fora da minha mente, distante de tudo aquilo que é bom e que faz bem!
Ele, na tentativa de salvá-la:
- Então deixe-me trazer para você a felicidade.
- É difícil conseguir... acho que sou melhor assim que feliz.
- Ouça: eu não vou desistir de você!
E com o passar dos meses, cansado de percorrer uma via de mão única sem chegar a lugar algum, ele desistiu. E mesmo a amando decidiu se afastar. “Amor que é amor não machuca, não maltrata e nem nos faz sofrer”, pensava todas as noites antes de dormir, com o objetivo de justificar a sua ausência.
Ela o esperou e depois de muito tempo se deu conta de que ele não iria mais voltar. Nunca em sua vida havia se decepcionado tanto. E, a partir de então, friamente, decidiu seguir em frente... e para não ceder à vontade, quase incontrolável, de procurá-lo pensou consigo mesma: eu estava certa... esse tal amor não existe .
Elaborava todos os dias um comportamento diferente para o caso de encontrá-lo. Entre as suas opções estavam, dizer a ele o quanto tinha sido cruel a sua partida, e ignorá-lo, que era a opção mais provável.
E por mais que desejasse vê-lo, para ter o gostinho de mudar de calçada, ela nunca mais o viu.
Como o mundo dá voltas, para eles não foi diferente. O tempo passou, e ambos tomaram caminhos diferentes.
Ela se tornou uma empresária de renome e, em prol do seu sucesso, decidiu não viver a sua juventude. Permaneceu cética e os poucos relacionamentos que manteve, nada mais foram que uma relação de troca de interesses. E quando percebia algum envolvimento, por menor que fosse, fugia e usava a desculpa de que não iria se comprometer com algo que pudesse atrapalhar o seu solitário lado profissional.
Certa vez, em uma entrevista a um jornal local, foi forçada a voltar àquele passado que ela mesma julgava já ter sido esquecido.
- E então... você é uma executiva de sucesso, já chegou no pico da sua carreira...
- Obrigada...
- Não pensa em se casar?
Ao ouvir a pergunta, sentiu seus pés saírem do chão e, ao mesmo tempo, atar um nó na sua garganta. A poeira das lembranças irritou seus olhos e para disfarçar, sorriu. E depois de três intermináveis segundos, respondeu:
- Áh, não... eu não acredito no amor! – e gargalhou suavemente.
Enquanto sorria o seu sorriso mais convincente, era atentamente observada do outro lado da cidade.
Ele não teve a mesma sorte nos negócios. Era dono de um restaurante modesto, mas bem freqüentado. Não era rico e nem tinha um carro importado. Concluiu a faculdade de música com sucesso, da qual era um dos melhores alunos, mas quis o destino que esse sonho não prosperasse. O seu negócio, que nada tinha a ver com os acordes musicais, não movimentava grandes quantias em dinheiro e o sonho de tocar violão às margens do Sena, cedeu lugar ao pão que deveria levar para casa.
Apaixonou-se algumas vezes, mas da mesma forma que a paixão chegava, ia embora.
Seu pai faleceu enquanto ele ainda estava na faculdade e, desde então, tornou-se o homem da casa. Pensou na sua cozinha como um grande instrumento e com a sua criatividade passou a sustentar a mãe e a irmã, sem lhes deixar faltar nada.
Ao vê-la pela televisão, sentiu o mesmo nó dificultar a sua respiração, e incrédulo voltou ao trabalho.
E para ele, mesmo depois de todos os anos que se passaram, ela continuava a mesma. Sua pela ainda era bastante clara e os cabelos, que outrora eram presos, deram lugar a um corte mais moderno e descontraído, que nada parecia com a sua personalidade. Os olhos eram pretos e brilhantes, como se permanecessem constantemente cheios de lágrimas e o sorriso, embora um pouco falso, era inebriante.
Naquele momento, relembrando aquela afirmação disfarçadamente sarcástica sobre o amor, ele se perguntou se ela havia sido feliz como ele, apesar das adversidades, fora. Concluiu que não. E sentiu o coração sangrar quando passou pela sua cabeça que ele poderia ser o responsável por ela viver em um mundo em tons de cinza. Naquele dia não conseguiu concentrar-se em mais nada.
Ao sair da emissora, ela pensou na possibilidade dele a ter visto na T.V e, ao olhar o relógio que marcava nove e quarenta da noite pensou: ‘Nem pensar... numa hora dessas ou ele está contando história para os filhos dormirem, ou está com a esposa’, e não pensou mais sobre o assunto.
No dia seguinte, ela pegou o primeiro vôo à Paris. E como não poderia ser diferente, não se ateve a nada que não fossem os contratos que estavam prestes a serem assinados.
Depois de uma semana, voltou ao Brasil, e do aeroporto foi direto para o seu escritório. Estava cansada e nem podia ouvir falar em visitas. Ao chegar, deu ordens à sua secretária de que não queria ser interrompida... ‘– Nem pelo papa!’, brincou.
Depois de algumas horas sentada na sua confortável poltrona, ouviu o telefone tocar.
- Senhora, tem um senhor aqui que insiste em vê-la!
- Eu já lhe disse que não estou aqui para ninguém.
Ao perceber que sua entrada seria negada, ele disse em alto e bom som:
- Diga a ela que é o papa!
Ao pensar que o que havia passado em sua cabeça era impossível, disse a secretária que o fizesse entrar.
Ao vê-lo, se recusou a acreditar. Ele estava bem diferente da última vez que o vira. Continuava alto e forte como antes, mas sua pele já possuía algumas marcas feitas pelo tempo. Seu cabelo que antigamente era negro, já abrigava alguns fios brancos. O corte era o mesmo... a forma como se movimentava enquanto ele andava também. Seus rosto, embora visivelmente cansado, mantinha o mesmo brio. Seu olhar não tinha mais o mesmo brilho, mas continuava a ser o mais terno que ela já havia visto.
Fingiu não reconhecê-lo.
- Bom dia! O senhor deseja...
E antes que concluí-se, foi interrompida.
- Você não sabe mentir! – sorriu.
- Você não me conhece mais! – retrucou.
Silêncio.
- Eu a vi na televisão. Fiquei bastante surpreso, sabia?
- Por que? Achou que eu seria incapaz de vencer na vida?
- Não! Não foi por isso... me surpreendi porque, mesmo depois de tanto tempo, você continua a mesma.
- Engano seu! Eu mudei muito, principalmente...
- Principalmente depois de eu não a ter procurado mais? – ele completou já sabendo qual seria a resposta.
- Você não era tão pretencioso assim...
- Não é pretensão.
- Não?! O que é então?! – olhou-o como se quisesse matá-lo.
Sem ouvir resposta ela continuou.
- Você pensa que tem todas as respostas, não é?! E que pode confiar, cegamente, nelas! Sempre sabe o que fazer... sempre sabe o que é certo e qual o momento certo para tudo... não se importa com ninguém... só consigo mesmo!
- Você não sabe o que está dizendo!
- Sei... sei sim! Porque foi assim que agiu comigo!
- Eu continuei pensando em você por muito tempo! Por anos eu continuei te amando!
- Pois eu não! A partir do momento que me baniu da sua vida, para mim, você já estava morto.
- Mas não estou! E estou aqui agora! Vai se acovardar novamente? – quis desafiá-la.
Estava irritada demais para respondê-lo, ou melhor, furiosa. E sem pensar duas vezes tentou, sem sucesso, esbofeteá-lo.
Ele ainda era ágil e antes que a palma daquela mão tão delicada alcançasse o seu rosto sofrido, ele a segurou fortemente. Olhando fixamente em seus olhos sentiu o coração disparar. Sem mais conseguir resistir ele a puxou para perto de si, ainda com muita resistência, e a abraçou. Ela que ainda relutava contra aquela aproximação, aos poucos foi sentido o calor do corpo dele amenizar a sua solidão, e, sem perceber, ela também o envolveu com seus braços.
Conversaram muito. Ela contou sobre como tinha sido difícil e sacrificante chegar aonde estava e sobre a decisão de colocar a vida profissional acima de qualquer outra prioridade. Ele contou dos bons anos que passou na faculdade e também da tristeza que fora a perda do pai. Contou ainda sobre o seu restaurante e sobre o seu azar na música.
- Mas mesmo assim... mesmo com toda barra que passei... acho que consegui ser feliz. – disse ele sorrindo.
- Eu não tive essa sorte... – disse com uma voz chorosa e um sorriso sem graça.
Agora sim, ela estava desarmada, entregue.
Sem pensar muito ele a abraçou novamente, afagou os seus cabelos por alguns minutos, a fim de fazê-la se sentir segura. Conseguiu.
- Lembra-se de quando eu lhe disse que não desistiria de você?
Ela apenas o olhava.
- Hoje vejo que não desisti... mas dessa vez, você não tem escolha...
Ela permanecia olhando-o nos olhos, mas naquele momento, assustada.
Ele continuou aproximando-se cautelosamente, como se não quisesse machucá-la, e quando já sentia o calor da sua respiração descompassada a beijou.
- Dessa vez você não tem escolha... eu vou lhe fazer feliz!
Embora ambos quisessem que aquele momento durasse eternamente, o tempo não os obedeceu... e passou.
Ela, após ter alcançado sucesso em mais um ramo do setor dos negócios, foi chamada a dar uma entrevista para a mesma repórter de tempos atrás.
Assim que ela acabou de responder a última pergunta que dizia respeito ao seu empreendedorismo sorriu, como se já soubesse qual seria a próxima pergunta.
- Vejo que você está com uma aliança na mão esquerda!
Ela gargalhou satisfeita.
- Passou a acreditar no amor? – continuou a repórter entre algumas gargalhadas.
Ela olhou o seu marido sentado atrás das câmeras, o bebê que ele segurava junto ao seu peito e sorriu... sorriu também com a alma... o sorriso mais sincero de sua vida.
- Se eu passei a acreditar no amor? – gargalhou – Claro que não! Só estou realizando um sonho... Eu sempre quis ter uma rede de restaurantes e ser empresária de uma banda! – continuou gargalhando.
Ao dizer isso, ela voltou a olhar para aquele homem que tanto a fazia feliz e que naquele instante gargalhava com a sua resposta. Ao olhá-lo, percebeu que havia ali um outro sorriso... uma outra gargalhada... e que mesmo este sendo sem dentes, era o mais lindo que já tinha visto em toda a sua vida!
Naquele momento teve certeza de que era feliz... de que era completa... plena.