18 de setembro de 2011

Eu andava meio triste. Meio desanimado. Meio esquisito. Completamente assim, pelas metades. E até andei pensando que era disso que sentia falta. Da outra metade de mim que ainda não conhecia.
Eu gostava de sair de casa à noite e andar pelas ruas da cidade sem rumo certo. Gostava de sentir o frio atravessar o meu corpo e, ao mesmo tempo, desejar encontrar alguém que fizesse com que ele desaparecesse em segundos. Era isso, enquanto eu andava sem destino, costumava observar as mulheres que via pelo caminho; provavelmente tentando enxergar nelas a mulher que sempre sonhei encontrar. Não sei você, mas hoje eu acho isso muito engraçado. Fico me perguntando: E se eu encontrasse mesmo alguém próximo do que sonhei? O que eu ia fazer? Me aproximar e dizer: ”Oi, meu nome é Otávio. Estava passando por aqui e reparei em você... Éh... bom... vim dizer que você é a mulher da minha vida!” Deus, como pude ser tão idiota?!
Perdi a conta de quantas vezes fiz isso, de quantos quilômetros eu caminhei. Até que desisti. Não de caminhar, mas de encontrar alguém.
Desisti e me acomodei. E não demorou muito para que eu me conformasse com as noites de sexta na casa dos meus pais a jogar buraco com mais meia dúzia de cinqüentões. Não era exatamente o que eu havia planejado para mim, mas era o que a vida tinha me reservado. Fazer o que senão aceitar?
Mas na última sexta-feira me vi no fundo do poço. Liguei para minha mãe, só para saber se ela precisava que eu comprasse algo no caminho. E sabe o que ela me disse? “Não filho... hoje não vamos jogar. Seu pai me convidou para jantar. Sabe como é né?! É o nosso aniversário de casamento... vamos namorar!” E gargalhou. Ela gargalhando lá e eu aqui com essa vontade de chorar.
Então fui tomar banho. Fiquei ali parado embaixo do meu chuveiro mais de uma hora. Não sei ao certo qual era a minha intenção, se lavar minha alma e corpo, ou disfarçar as lágrimas que, a qualquer momento, podiam aparecer.
Água quente, banheiro abafado e o espelho todo embaçado. Foi inevitável lembrar da minha antiga namorada. Antiga mesmo. Ela tinha a mania de me deixar esperando enquanto tomava um banho muito mais que demorado. E antes de sair do banheiro deixava escrito no espelho um “eu amo você, neném!”. Bobagem não é?! Mas ela sempre me fazia sorrir com essas declarações de amor.
Sacudi a cabeça para tirá-la dos meus pensamentos e arrumar (desarrumar) meus cabelos. Ao menos isso em mim era bom, o cabelo. Sentei na cama e fiquei pensando o que eu poderia fazer para passar (acelerar) o tempo. Sem idéias, resolvi sair para comprar algumas cervejas e uma coisa congelada para comer. Vesti a primeira camiseta que achei no guarda-roupas, calcei meu tênis e fui até o supermercado mais próximo. Voltei para casa reparando na felicidade dos casais que encontrei pelo caminho e sorri ao lembrar que, naquela noite, até meus pais estavam “apaixonados”.
Cheguei em casa, liguei a TV, abri uma cerveja e me esparramei no sofá. E no exato momento em que comecei a gostar de estar ali, mesmo sozinho, a minha campainha tocou. Me bateu um desespero só de pensar que meus pais poderiam ter achado melhor cancelar o programa romântico e me fazer companhia. Pensei em não atender, mas, nem sei porque, mudei de idéia.
Era uma moça, bonita até. Me assustei ao vê-la na porta do meu apartamento e acabei por assustá-la também. Eu não esperava nenhuma visita, ainda mais de quem não conhecia... ainda mais de uma mulher.
Fiquei ali olhando para ela, sem dizer nada, tal qual um idiota. Até que ela deu um sorriso, assim de canto, daqueles meio envergonhados. Olhou para o chão e colocou os ondulados cabelos dourados atrás da orelha. E falou alguma coisa tão baixinho que eu mal pude ouvir. Fico me perguntando se eu não ouvi pelo seu timbre delicado de voz, ou se pelo encanto que o seu jeito de colocar os cachos atrás da orelha me causou. Em poucos segundos fui absorvido pelo perfume que a sua pele branca exalava. Continuei ali, parado. E ficaria ali o resto da noite sem resmungar. Até que despertei com o toque dela em meu braço. Me tocou e me perguntou alguma coisa. Só então consegui falar.
— Desculpe! Mas eu não ouvi o que você falou. – respondi balançando a cabeça novamente, como se quisesse colocar minhas idéias no lugar.
— Eu perguntei se você não tem uma escada para me emprestar?
— Escada? – perguntei quase me desconcentrando de novo.
— É.
— Não... eu não tenho uma escada.
— Hum... – e fez uma cara de decepção que dividiu meu coração em 1001 pedaços.
— Mas para que você precisa de uma escada a essa hora da noite? – perguntei rindo, tentando parecer simpático.
— Bom... É que a luz do meu quarto queimou. Mudei para cá há pouco tempo e ainda não tive tempo de comprar tudo o que preciso. – respondeu com uma voz tão suave, que mais parecia um carinho.
— Se você quiser posso trocar a lâmpada do seu quarto. Afinal, para isso é que serve ter 1,80 de altura. – sorri.
— Se não for muito incômodo...
— Claro que não!
Fui.
Fui e ainda não voltei. E nem vou.
Jamais vou deixar de dormir sentindo o seu perfume ou o calor do seu corpo junto ao meu. Nada nesta vida (nem em nenhuma outra) me fará acordar senão ao seu lado. Hoje não há nada que me dá mais prazer do que poder sentar a sua frente e, enquanto tomo meu café-da-manhã, reparar no quanto suas bochechas ficam rosadas quando digo que me apaixono por ela todas as manhãs; ou o quanto as minhas camisas de algodão caem melhor nela do que em mim. Então ela se levanta e vem caminhando lentamente em minha direção. Senta no meu colo e encolhe as pernas, como se quisesse caber inteira no mesmo espaço que eu. Desliza os dedos em meus cabelos ainda molhados e recosta a cabeça em meu peito. E é nesse momento que gosto de beijar-lhe a testa. É que quando faço isso, ela sempre me olha nos olhos; e tem ainda aquele sorriso meio torto nos lábios, meio sem jeito. E, quase sem sentir, ela prende uma mecha de seus loiros cabelos atrás da orelha. E é aí que sinto aquela “coisinha” no estômago, aquele aperto gostoso no peito e a vontade de passar o resto da minha vida ao seu lado.

25 de julho de 2011

Meia-noite e uma vontade quase insana de por para fora tudo aquilo que sinto. Mas como fazê-lo se nem eu mesma consigo nomear meus sentimentos?!
Eu gostaria muito de compreender a vida e ser capaz de perceber o sentido de todos os seus avessos e direitos, de todas as suas idas e vindas. Mas quanto mais eu vivo, mais percebo o quanto sou ignorante. E mesmo mantendo os meus olhos abertos e minha mente sempre atenta, ainda deixo muito a desejar.
Eu adoraria entender o porque de sermos tão inconstantes, tão contraditórios, tão instáveis. Qual a lógica existente em todos os nossos dilemas?
Acho que já perdi as contas de quantas vezes fiz essa pergunta para mim mesma; e de quantas vezes dormi inconformada por não conseguir encontrar uma resposta.
É incrível, mas a vida ainda me surpreende! E não consigo acreditar que ainda há quem diga que ela não passa de um “museu de grandes novidades”.

7 de julho de 2011

Sinta-me, se for capaz!

Detesto a parte de mim que sempre se sente sozinha.
Sozinha e a espera de algo que nunca vem.
Não me agrada esse aperto no peito, esse nó na garganta.
Detesto esse “quê” de fragilidade que agora se faz tão evidente. Essa insegurança que faz minhas pernas tremerem e meu coração bater apertado, como se estivesse encarcerado.
Talvez eu espere demais das pessoas, do mundo e até de mim mesma.
Queria, ao menos uma vez, ser mais forte do que essa sensação de solidão que me perturba tanto. Conseguir olhá-la de frente e, como quem sabe bem o que quer, expulsá-la de uma vez da minha vida.
Quem dera que nesses momentos a minha própria companhia me bastasse. Mas o vazio que existe em mim é muito maior do que eu mesma.
Bom mesmo seria se a minha felicidade não dependesse de sorrisos, olhares e palavras alheias. Se eu soubesse ser, realmente, indiferente quando necessário. Mas costumo (re)viver, escondida na escuridão do meu quarto, tudo aquilo que me abala. Onde ninguém possa me ver chorar... onde ninguém possa perceber o quanto estou sensível... vulnerável.
O que me consola é saber que ninguém é puramente uma coisa ou outra. É saber que tudo o que nos aflige (ou não), por mais que custe, por mais que deixe marcas, passa.
Então eu não sou somente solidão, não sou puramente esse aperto no peito, não sou inteira insegurança. Sou muito mais que isso. Uma mistura de tudo o que me faz bem e daquilo que também não faz. De tudo o que me agrada, de tudo o que te satisfaz. Mas não sou somente e nem tudo isso.
Então, não perca o seu tempo tentando apenas me “enxergar”. Como já disse o poeta, “o essencial é invisível aos olhos”. Mas, caso queira me conhecer, esteja à vontade para SENTIR quem verdadeiramente eu sou.

11 de junho de 2011

Minha mãe vive me dizendo que eu sou um belíssimo jogo de contrários.
Eu sempre pensei muito a respeito e é claro que não vou ousar discutir essa sua percepção, até porque acho (tenho certeza) que ela me conhece melhor que eu mesma. Mas hoje, não sei bem porque, decidi escrever a respeito. Quem sabe com o intuito de tentar me entender um pouco melhor.
Acho que posso afirmar que toda a (pouca) experiência que tenho foi construída a partir das contradições, sejam elas particulares ou alheias. E olhando a vida por outro ângulo vejo que não haveria como ser diferente, porque a existência humana é o território mais propício para abrigar todo e qualquer tipo de incongruência. Inicia-se então o grande desafio: tentar diminuí-las.
O primeiro passo, e certamente o mais difícil, é saber reconhecê-las, tendo em vista que cada um de nós vive em um contexto de contradições. E no fundo, no fundo, nós sabemos disso. Em muitos momentos de nossas vidas agimos de uma forma ou de outra e depois, ao olharmos para nossas ações, pensamos: “gente, eu não tenho nada a ver com aquilo que fiz”.
Pronto! Acabamos de descobrir uma inadequação entre aquilo que somos e aquilo que fizemos. E por causa disso muitas vezes não somos capazes de realizar o bem que a gente deseja. A nossa única escolha é então aprendermos a conviver com aquilo que em nós contradiz, minimizando o seu poder em nossas vidas.
Para isso não é preciso muito esforço e sim um pouco mais de atenção. Basta estarmos mais atentos a nós mesmos, àquilo que estamos fazendo, em outras palavras, basta refletir-nos. E por mais que às vezes nos falte paciência para fazê-lo, é necessário o façamos assim mesmo; porque o auto-conhecimento só é possível quando nos dispomos a pensar sobre quem somos, o que estamos fazendo e onde estamos.
Repare. O primeiro passo para nos transformarmos na pessoa errada é estarmos no lugar errado. Quantas pessoas começaram a dar errado na vida simplesmente porque não souberam escolher o lugar certo para estar?!
Pensar sobre nós mesmo, de alguma maneira, ajuda a reduzir as nossas contradições; e à medida que nos reconciliamos com a nossa vida somos mais felizes. Isso significa que sempre que diminuímos tais incongruências, sempre que identificamos que estamos em verdadeira consonância com a vida, somos tomados por uma sensação de satisfação, de preenchimento. E é natural que seja assim. Ao conseguirmos dissolver um pouco dos contrários do mundo e do contexto que nos cerca, nos encaixamos um pouco mais no nosso lugar. Não pra ficarmos acomodados, mas para nos sentirmos confortáveis.
A cada dia tenho mais certeza de ser feliz se resume a isso, vivermos confortáveis em nós mesmos. É o mesmo que dizer que estamos satisfeitos sendo quem somos, fazendo o que fazemos, estando ao lado de quem estamos, acreditando no que acreditamos, trabalhando com o que realmente nos identificamos.
Acho que essa é a melhor maneira de diminuirmos as nossas contradições. Quando descobrimos que podemos ser melhores e que não precisamos viver essas incoerências o tempo todo. Nisso consiste o processo de crescimento, em iluminarmos constantemente nossas vidas e, a partir dos erros, começarmos uma mudança.
Um bom exemplo é quando nos sentimos desconfortáveis na presença de alguém. Se isso acontece é porque há algo errado entre ambos. Existe uma inadequação.
A saída então, mas não a mais fácil, é tentar diminuir em nós esse processo de incompatibilidade, tentar melhorar; dar passos, fazer esforços.
Imagina se levássemos isso sempre a sério?! A nossa vida seria muito melhor.
Mas muitas vezes, senão todas elas, adotamos uma atitude que nos torna pesados, que desagrada o nosso coração, simplesmente porque não abrimos mão de viver aquela inadequação. E de repente, quando nos abrimos, quando nos permitimos fazer as pazes com esse contexto que está desagradável retiramos um peso de nós que não precisamos carregar.
É por isso que acredito que o perdão é uma atividade terapêutica; porque toda vez que perdoamos diminuímos a incoerência, diminuímos a contradição.
E já que desejamos estar de bem com o mundo, não podemos permitir que sejamos um empecilho para a felicidade alheia. É tão ruim quando descobrimos que alguém está sendo um empecilho para a nossa felicidade. Às vezes, por pura maldade, o outro joga sobre nós uma série de coisas ruins; começa a depositar sobre nós todos os ódios que ele tem, todas as suas indisposições.
E se sabemos o quanto isso causa mal, por que vamos fazer isso com o outro?!
Se a não gostamos quando o outro nos maltrata, nos humilha, nos trái ou mente para nós, por que nós vamos repetir o mesmo erro? Se não gostamos de ser desprezados, por que vamos desprezar?!
E então, quando passamos a ter essa consciência o bem vence dentro de nós. E essa é a grande meta de todo ser humano, fazer o bem vencer.
Hoje, sobre as minhas mazelas, eu quero que o bem vença. E quando começamos a levar isso a sério, nos tornamos até mais fortes para enfrentar as dificuldades, os desajustes do mundo. Porque, definitivamente, precisamos estar um pouco imunizados contra tudo isso para que não soframos além do necessário.
Diminuir as contradições... talvez seja isso que o nosso coração esteja precisando hoje.

2 de junho de 2011

"Que seja!"





Adoro essa ansiedade que aos poucos vai tomando conta de mim. Essa sensação de que tenho algo novo e maravilhoso por viver.
Gosto de sentir esse friozinho na barriga e enxergar, de longe, o brilho no meu olhar.
Acho que são nessas horas que consigo me sentir viva de verdade.
Ah... e como eu adoro sentir meu coração bater mais forte... sentir o sangue correr nas veias... o peito se encher de ar, como se estivesse tomando fôlego para gritar.
E para ser bem sincera é essa a minha vontade.
Até acho que já esteja gritando há um bom tempo, mas infelizmente nem todos conseguem ouvir o meu chamado.
Pensando bem, é bom que seja assim.
Não quero apenas encher a minha vida de pessoas sem significado. Não quero atrair um peso que não preciso suportar! Eu quero mais do que companhia... quero alguém que fale a minha língua e que esteja em sintonia comigo.
Alguém que me faça ter a sensação de que nos conhecemos há séculos e que tenha o poder de acelerar o tempo quando estiver ao meu lado; e que sendo assim, me deixe sempre o desejo de mais um abraço, de mais um beijo, de mais um carinho.
Quero aquele que não tenha medo de confiar e se arriscar.
Quero aquele que consiga “ler” meus pensamentos e que não precise usar e abusar das palavras para se fazer entender.
Quero o toque mais suave, o sorriso mais sincero, o olhar mais profundo.
Quero poder mostrar a minha essência sem medo de ser mal interpretada, sem o receio de ser censurada. E sentir-me livre mesmo sabendo que pertenço a um só coração.
Por fim, desejo que com você seja mesmo diferente, que seja de primeira. E que em pouco tempo possamos perceber que nós temos tudo a ver.




“E agora que sei o que sinto eu preciso contar pra você... Eu te quero do meu lado! E tomara que seja amor pra vida inteira... amor de qualquer maneira”.

20 de maio de 2011

O poder de ser eterno!

É interessante quando, na vida, o nosso silêncio é interrompido por alguém que chega.
E não são poucas as ocasiões em que nós optamos por fazer a experiência do silêncio. Até a vida... por mais que gastemos tanto tempo falando, ela é muito mais silêncio do que palavra.
E se formos pensar no que categoricamente nos define como pessoa no mundo, com certeza não será aquilo que sabemos dizer sobre nós mesmos, mas aquilo que não sabemos dizer.
Acredito que o bom ouvinte não é aquele que escuta o que dizemos, mas o que sabe compreender o que não traduzimos em palavras. Porque é justamente o que não sabemos dizer sobre nós mesmos, que nos revela.
É muito fácil falsear as palavras. E é muito natural nos enganarmos por meio daquilo que dizemos... mesmo que não seja a nossa intenção mentir. É que muitas vezes existe uma inadequação entre aquilo que conseguimos falar de nós mesmos e aquilo que de fato somos.
Mesmo porque, quando a palavra chega à nossa boca, esta já sofreu uma perda. Uma coisa é aquilo que você PENSA, outra coisa é DIZER o que você pensa. Até entre o que chamamos de realidade e aquilo que conseguimos pensar dela, ocorre o processo de perda.
É certo que uma realidade não é exatamente o que pensamos a seu respeito... o pensamento pode até ser uma aproximação do que é real, mas, definitivamente a realidade é muito mais do que nós conseguimos pensar sobre ela.
Se você pensa sobre o que é felicidade, por exemplo... felicidade é muito mais do que você consegue pensar. E entre o que a felicidade é e o que a sua mente conseguiu formular a seu respeito, já houve uma perda considerável. Perda de sentido.
Perder o sentido é não conseguirmos absorver algo em sua totalidade, nem pensar a seu respeito sem isso gere uma perda. É como dizer então que a realidade está a mercê nossa inteligência.
Agora, se pensar uma realidade já é uma forma de empobrecê-la, já é um jeito de perdê-la, imagina quando nos dispomos a falar sobre ela?! Há uma perda ainda maior. Porque se entre a realidade e o pensamento já há um dano, do pensamento à palavra ocorre um dano ainda maior. Talvez porque nem sempre a nossa palavra consegue, de fato, dizer o que é a realidade. E mais... nem sempre conseguimos dizer com fidelidade o que pensamos sobre ela.
A palavra é a 3ª instância da realidade. Primeiro a realidade em si mesma, segundo a realidade pensada e, por fim, a realidade falada. E por mais que ela tente ser a revelação de algo real, ela não é tudo.
Nós humanos vivemos na 2ª e na 3ª instância, porque pensamos e também dizemos. Mas para nós essa palavra deve conter o poder de despertar aquilo que somos, com a finalidade de instigar em nós o desejo de chegarmos ao lugar de onde ela origina.
Se eu não consigo saber tudo sobre a realidade e a palavras é um jeito estranho que eu tenho de tentar chegar até ela, comecemos, então, a trilhar esse caminho. Este é o processo do conhecimento humano.
Conhecer alguém é descobrirmos o caminho das pedras, o caminho das palavras que poderão nos fazer chegar àquilo que a pessoa é e não àquilo que eu imaginei sobre ela.
O que nos autentifica como conhecedores de alguém não é o que pensamos, nem o que ouvimos, mas aquilo que nós experimentamos e que, muitas vezes, não passa pelo horizonte do pensamento, tampouco o da palavra. Entretanto, passa pela experiência de sabermos que apenas ocorre assim.
Foi assim quando a Ruanna entrou na minha vida, quando ela cruzou as esquinas da minha história, quando “invadiu” a minha casa...
Ela é aquele tipo de amiga que chega sem pedir licença e nos causa a sensação de que já a conhecemos há 200 anos. Somente porque consegue acelerar o tempo dentro de nós, consegue alcançar regiões da nossa vida que nem aqueles que nasceram ao nosso lado conseguiram.
Uma presença, eu diria, quase que angelical.
Anjo?!
É aquele ser capaz de trazer a luz da diferença.
Cada vez mais as pessoas se convencem de que basta viver uma condição de ser mais ou menos no mundo... de conhecer mais ou menos, de amar mais ou menos, de saber mais ou menos... E o anjo é aquele que entra em nossa vida com o domínio de nos acordar com palavras incomuns. São jeitos de falar, de pensar a nossa vida que nos surpreendem.
Sabe... é muito bom encontrar alguém que tem uma interpretação absolutamente nova do que somos. É como reinaugurar uma loja depois de um tempo de falência. Arregaçamos as mangas e começamos a ajeitar a vitrine que antes estava tão feia e acabada. Com a gente também é assim... alguém descobre que na nossa vitrine está faltando cor, está faltando luz e, com o seu jeito de ser, de falar, de compreender e de interpretar, acrescenta um novo detalhe naquela vitrine que antes parecia tão falida.
Então nos enchemos de brilho e de vida, simplesmente porque descobrimos que alguém nos olha de uma forma diferente... descobrimos que há alguém que parece ter o poder de reinaugurar o que somos... alguém que parece ter a chave, a senha. Senhas estas que, às vezez, nem nós mesmos sabemos decifrar.
Receber um amigo em nossa vida é sempre como ganhar um presente, seja tendo chegado ontem ou há 10 anos. Não importa o tempo, porque amizade não conhece cronologia e o tempo não deve ser o que há de mais importante para nós.
O que devemos assumir é a vivência de um tempo de graça, o qual não sabemos quando começou e quando irá terminar.
É maravilhoso quando experimentamos momentos que não cabem dentro do tempo... são tão intensos que, mesmo correspondendo cronologicamente a 10 minutos, dentro nós é capaz de durar uma vida inteira. Porque fomos eternamente marcados pela sensação de que o tempo não estava passando. Ou então o que sentimos é tão bom que faz o tempo voar.
E, quando menos esperamos, aquilo que ocorreu no passado surpreende-nos de uma forma tão interessante, que chegamos a crer que estamos novamente ali.
Sabe quando você escuta uma música que lhe recorda um tempo de graça e, automaticamente, você retorna às experiências daquela hora?!
Porém aquele tempo já se findou. E então nos perguntamos: e aí? O que fazer com o que sentimos? Como é que podemos ter uma vida que já não existe mais? Como é que podemos experimentar as delícias de um tempo que já acabou?
A resposta eu sei de cor, vivendo o tempo em sua essência, na sua forma eternizada.
A experiência do amor sempre extrapola a cronologia.
É uma experiência de “acontecências”, isto é, um dia nós somos envolvidos pela presença de alguém que rompeu o nosso silêncio, que despertou aquilo que nem nós mesmo sabíamos a nosso respeito; alguém que acelerou o nosso processo de autoconhecimento, de felicidade e de satisfação... e isso não cabe no tempo.
Quem passa a ser presença “Kairótica” em nós, extrapola os limites do tempo a ponto de se tornar eterno. E como dizia, sabiamente, Adélia Prado, “aquilo que a gente ama já é eterno”.
E os amigos tem essa função de nos fazerem esquecer a dureza do tempo. Porque o tempo é duro, o tempo nos mata, o tempo nos envelhece. E aqueles que amamos, as pessoas que são importantes em nossa história, são aquelas que nos fazem viver a experiência desse desafio. Então, não permita que o tempo te mate, vamos nos tornar eternos um ao lado do outro. Porque quando nós assumimos a eternidade como um projeto de vida, assumimos também a missão de sermos anjos na vida um do outro.
Assim que percebermos que o tempo está destruindo aqueles que estão ao nosso lado, cabe a nós mesmos convidá-los para um “tempo de graça”, convidá-lo para que, por um instante ou por um momento, possam descobrir a importância de esquecermos os malefícios desse tempo que passa.
E aí descobrimos o que é ter um amigo do nosso lado.
Quando temos a sensação de que estamos vendidos, de que já não temos mais tantos atrativos em nossa vitrine, quando já não temos mais tantos atrativos para viver, eis que chega alguém com o seu poder de transformação, olha em nossos olhos e nos convence de que ainda pode ser diferente. Alguém que seja capaz de dar a vida por você, para que você não entre em um processo de falência. Alguém que seja capaz de significar em sua vida o amor de Deus na história.
Me impressiona como o tempo inteiro precisamos saber que somos amados. Talvez essa necessidade baseia-se no fato de que é muito fácil nos sentirmos menosprezados no mundo de hoje... é tão fácil sentirmos que não valemos nada... é tão fácil pensarmos que estamos sozinhos nessa vida e criarmos dentro de nós um sentimento de solidão que nos faz perder de vista qualquer crença de que exista alguém capaz de nos amar verdadeiramente...
Mas graças a Deus existem pessoas em nossas vidas que são capazes de olhar dentro dos nossos olhos e dizer: “eu sou capaz de trocar reinos por ti”.
Em algum momento você sentiu que o amor de alguém significou isso?
Isso é teoria em sua vida ou não?
Alguém, de fato, conseguiu representar isso para você apenas com o jeito de olhar, de falar de compreender?
Você já descobriu, olhando nos olhos de alguém, que aquela pessoa seria capaz de dar a vida por você?
Você já fez a experiência humana de reconhecer em outra pessoa um anjo que diz: “coragem... eu lhe inauguro no momento que não der certo” ?
Não me canso de acreditar que nós nos sabemos amados naqueles momentos em que as coisas não são tão favoráveis, em que tudo parece irremediavelmente perdido.
Ser amigo na hora da festa... não... isso é muito fácil. E muitas vezez vivemos uma experiência de companheirismo, de coleguismo e achamos que isso é amizade... não!
Ser anjo é iluminar no momento em que o outro é treva.
Não estou dizendo nada que tenha lido nos meus livros... até porque os livros são muito pobres para nos mostrar essas coisas. Mas eu vi alguém que amo olhar nos meus olhos e dizer: “se preciso for eu dou minha vida por você”. E isso é amor de verdade. E eu desejo que todos passem um dia pela experiência de amar alguém assim, mesmo que você a perca depois. Mesmo que você não a tenha para a vida inteira, porque o jeito mais bonito de preservar o outro do nosso lado, é quando fisicamente ele já não mais está. É quando já não temos mais a graça do sorriso, da presença física. Então descobrimos o verdadeiro significado do amor, que é aquele que nos faz sentir acompanhado, mesmo quando só existe ausência ao nosso lado. Mesmo quando pela força da vida aquele que amamos já não nos acompanha mais.
E isso sim é ser anjo.
E o dia que alguém amar o nosso coração do jeito que ele merece ser amado, estaremos registrados para o resto da vida. Nós jamais seremos capazes de esquecer isso e o mais importante, nos empenharemos para ser isso na vida de alguém.
O amor nos contagia a partir do momento que descobrimos que aquele que nos ama, nos faz amar também. Um amigo não nos ama para nos prender, para nos dar uma satisfação temporária, não! Ele nos ama e nos transforma, sabe porque? Porque ele aponta o caminho e a direção para que possamos ir, para que possamos nos aprimorar como pessoa... para que a gente possa descobrir um jeito interessante de sair do convencional, de ultrapassarmos o limite das pessoas comuns... não por uma vaidade, mas por uma responsabilidade que lhe impõe, para que você também possa “cantar” isso.
E se tivéssemos que ser honestos??? Conte nos dedos quais foram as pessoas que um dia iluminaram a sua vida através do olhar.
Quais foram as pessoas que nessa vida diminuíram a sua sensação de orfandade?
Quais foram as pessoas que já pareceram eternas para você, porque lhe marcaram definitivamente?
Foram a mão de Deus na sua mão, naquele momento em que você já não tinha mais forças para ir adiante... foram perna de Deus nas suas pernas, no momento em que você não conseguia mais andar... foram a voz de Deus a lhe dizer “coragem! Reinaugure-se... comece de novo”!
Conte nos dedos...
E se chegamos à conclusão de que são muitos os dedos das mãos para serem usados na contagem dessas pessoas, precisamos então rever a qualidade da nossa vida... dos nossos relacionamentos... do nosso olhar... do nosso jeito de ser gente. Ou porque estamos vivendo na solidão, ou porque estamos provocando o tempo todo solidão...
É tão fácil sermos nada nos dias de hoje; basta entrarmos nessa preguiça existencial que caracteriza tão bem a atualidade. Basta nos transformarmos em pessoas comuns. Pessoas que se esbarram, mas não se encontram... que passam a vida inteira tendo colegas, sendo apenas conhecidas. Conhecidas que não se conhecem de verdade.
Daqueles amigos que você diz que iluminam a sua vida, quais são as cores favoritas deles? O que os fazem sofrer? Qual é o prato que mais lhes agrada? Quando foi a última “luta” dele... ele venceu ou ele perdeu?
Nós não sabemos quase nada uns sobre os outros.
Conte nos dedos e seja honesto, quais foram as pessoas que realmente marcaram a sua vida? Quais foram as pessoas que deixaram de ser comum na sua história? E você, seria capaz de dar a vida por elas também?!
E você, quem você conduz nesse mundo? Quem você ilumina?
Éh... é bem mais fácil ser amado que amar.
Eu não tenho vergonha de dizer isso. Mas vocês não imaginam o quanto meu mundo tornou-se pobre de uns tempos para cá. Eu não sei contar quantas vezes já acordei chorando à noite... porque é muito triste perceber que aquilo que amávamos, só volta acontecer na hora em que sonhamos. E aí quando acordamos temos a dura realidade para reconhecer: “acabou”...
O celular não toca mais, as músicas já não são mais cantadas em duetos, acabaram-se as gargalhadas; já não gastamos mais horas ao telefone falando sobre qualquer coisa sem importância... isso não existe mais.
Ruanna foi, de longe, a melhor amiga que eu já tive na vida.
E foi passando pela experiência de “perdê-la” que descobri como é bom ganhar.
E todas as vezes que paro para olhar nossas foto, nossas conversas durante as aulas de química, português, filosofia, física “eu digo para ela”: “Você deve achar isso bonito néh?!” (Risos!)
Esse era o jeito dela me chamar atenção...
Aqui vai um conselho... não se dê o luxo de perder quem você ama, mesmo que você vá sofrer depois... não existe amor sem sofrimento. Se eu pudesse voltar no tempo eu seria amiga dela do mesmo jeito, mesmo sabendo que um dia ela não mais estaria na minha vida, mesmo sabendo que a minha existência se tornaria cada vez mais difícil sem a sua presença, não me importa! Eu sei que essa saudade é moldada ao longo do tempo, mas até que esse processo termine ela dói... e machuca.
Mas se for para escolher entre viver com a mão fechada ou abri-la para dizer que tenho dez amigos pelos quais vou sofrer, eu prefiro sofrer pelos dez! Porque vale a pena sentirmos a sensação de que alguém não apenas passou pela nossa vida, mas ficou... ficou e não há mais um jeito de dizermos o nosso nome, sem lembrarmos do dele... não há mais como vivermos nossas vidas sem vivermos em sua companhia... porque ser amigo é isso, é estar por perto mesmo que fisicamente não tenhamos mais o outro ao nosso lado.
Eu a levo então, dentro de mim, no meu jeito de falar, nas tantas coisas que ela modificou no meu jeito de ser gente!
Ter “perdido” uma amiga assim, me faz querer ser melhor amiga para alguém... porque eu sei o quanto é bom ter uma saudade positiva... eu sei o quanto é bom ser marcado positivamente pela vida de alguém... e eu quero fazer o mesmo! E vou viver para convencer o mundo de que é bom ser assim, não importando se você vá sofrer ou não.
É certo, quanto mais nós amamos, mais nós sofremos. Mas isso não importa, porque essa matemática, sim, vale à pena.



26 de abril de 2011

Happy birthday, dear Camila!

Camila,
ou seria melhor chamarmos por Kami, Kamizinha, Camilão e tantos outros apelidos que lhe demos?!
Enfim, não interessa como iremos chamá-la e sim o que vamos dizer a partir de agora!
Antes de qualquer coisa gostaríamos de lhe pedir, encarecidamente, para que você faça um esforço e não chore (embora saibamos que isso provavelmente não acontecerá). Afinal, você vai acabar borrando a maquiagem, porque o seu rímel não é à prova d’água... vai ficar vermelha igual a um pimentão e seus olhos ficarão ainda maiores que o normal.
Calma! Não precisa se assustar! Não vamos dizer nada muito absurdo... nem nada que você já não saiba!
Éh, Kami... mais um ano se passou! Mais um ano exercendo a arte de ser “Camila”... a nossa “Kamizinha”.
Sei que você deve estar se perguntando o porquê de chamarmos a sua existência de arte. Sabe o que é?!
Não é qualquer pessoa que consegue ser assim tão encantadora como você.
Sei bem que você vai ficar o resto da vida jogando na nossa cara que você é o máximo, mas fazer o que?! Você é mesmo! E pelo menos hoje nós temos que concordar com você néh?!
Não é uma tarefa fácil falar sobre você... não mesmo! Talvez porque sempre fica aquela sensação de estarmos deixando algo para trás... aquela mesma sensação que você sente quando, de quinze em quinze minutos, perde o celular.
Que você é meiga, um anjo de candura, todo mundo já sabe... (até porque você mesma faz questão de nos dizer isso a cada 3 minutos) Mas o que nem todo mundo sabe, é a grande mulher que se entra atrás dessa cara de menina!
Lembra que um dia eu lhe disse que achei estranho quando alguém se referiu a mim como mulher?! Sou capaz de apostar a minha 23ª edição do Cecil, como é isso que você está pensando agora! Mas não estranhe, Kami! Você pode, sim, ser chamada de mulher... e mulher com todas as letras maiúsculas, pois você sabe como ser grande.
E sabe como percebemos isso?!
É claro que não foi pela sua estatura! Mas sim pela pureza da sua alma.
Pouquíssimas pessoas tem a capacidade de ser assim tão... tão... tão...
Linda?!
Não! Boba!
Caaaaalma, Camilão... o “boba” aqui é um elogio.
Como diria Clarice Lispector, ser bobo tem lá suas vantagens... pois “por não se ocupar de ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo”. Você, como boba que é, consegue ser espotânea e, melhor que ninguém, enxergar além das aparências. Pode confessar... é assim que adquire a sabedoria para viver o lado “Carpe Diem” da vida não é?!
E como se não bastasse, você ainda sabe confiar inteiramente. Sabe valorizar um amigo e, acima de tudo, sabe como ser a melhor amiga de alguém!
Francamente, Camila... quanta bobagem da sua parte heim?!
E nós ficamos aqui, a mercê do piscar dos seus cílios enormes... Porque é impossível evitar o excesso de amor que uma boba como você provoca. É que só os bobos são capazes de excesso de amor. Pois só o amor faz o bobo!
Parando um pouco para refletir sobre tudo, temos mesmo é que agradecer a Deus por ter colocado em nossos caminhos uma pessoa tão especial como você! Tenha certeza que não seríamos tão floridas sem a sua companhia!
Agradecemos também a você, Camilão, por estar sempre presente em nossas vidas... seja estando perto ou em São Paulo clonando bactérias! Agradecemos ainda pelo carinho incondicional, pelas risadas, por formatar tão bem um projeto de pesquisa... e sobretudo, por topar qualquer parada ao nosso lado (mesmo que isso envolva 40 horas maçantes no BIOTEMAS)!
Por fim, só nos resta pedir a Deus que lhe proteja e abençoe sempre! E que Ele permita que você seja sempre feliz... assim como você nos faz com a sua amizade!
Desejamos também, Kami, que jamais lhe falte dinheiro para compra o Renew do mês... e que quando ele não for mais suficiente, que você possa aplicar um botox, fazer uma plástica ou outras coisas do gênero...
Que os seus cílios continuem enormes e fortes... que eles nunca caiam (afinal, deles depende o seu sucesso amoroso)!
Mas acima de qualquer outra coisa, desejamos que o nome Camila Matos Versiani (com “i”) seja SEMPRE sinônimo de sucesso!

O que desejamos hoje é um feliz aniversário, mas nunca se esqueça que o nosso principal desejo é sempre contar com a sua amizade!


Nós amamos você!













(**Texto feito a 4 mãos... participação de Giselle Mayara!)

24 de abril de 2011

Do latim, Alegria!

Faz algum tempo que venho tentando encontrar as palavras certas para começar este texto... e tenho que confessar que, apesar do esforço, eu não as encontrei.
Talvez porque seja difícil começar quando se tem muito a dizer.
Então, para simplificar, começarei do ponto que acho que devo; começarei pelo fim. Porque, neste caso, o fim foi apenas o começo.
Ontem, exatamente ao meio dia e trinta e dois minutos recebi uma mensagem no celular. Essa, apesar das poucas palavras, me fez sentir como há muito não me sentia: especial.
Qualquer pessoa gosta de se sentir bem quista; qualquer pessoa gosta de saber que faz falta para alguém. Mas o que senti ontem vai muito além de me sentir querida. Porque, conhecendo a remetente como eu conheço, tenho comigo a certeza de que aquele “Por que você não está aqui?!” não foi da boca para fora. Tenho certeza que ao meio dia e trinta e dois minutos ela, mesmo estando em outra cidade, sentiu a minha falta!
Há algum tempo nos conhecemos e, talvez um pouco depois daquele momento que chamam de instantâneo, aprendi a admirá-la.
Para ser bem sincera, eu sempre a vi como um exemplo de tudo o que há de melhor no mundo. Um exemplo no qual valia, e ainda vale, à pena se espelhar.
Ao contrário de muitas pessoas que conheci, ela nunca fez questão de “conquistar” a minha amizade. E, por ser sempre a mesma pessoa, independentemente de quem estivesse por perto, ela a conseguiu.
No início, eu a admirava pelo seu dom com as palavras. Pela facilidade que tinha em tocar os mais diversos corações. Depois, eu passei a admirá-la pela luta que enfrentava diariamente. E mesmo apenas ouvindo falar, sabia que esse embate era doloroso e cansativo. Mas eu pedia a Deus para que ela jamais desistisse; e assim foi. Ela não desistiu. E por não desistir, conseguiu alcançar um dos seus sonhos; talvez aquele que a levará mais alto.
Incrível como, mesmo sem perceber, ela me ajudava a seguir em frente depois de cada tropeço. Sem nem saber, talvez até sem se dar conta de que eu ainda estava por ali, ela me ajudou a me manter acordada dias e noites na busca incansável da realização de um sonho que, por coincidência, também havia sido seu.
Recentemente, quando a perguntei sobre medicina ela disse: “Sabe, Bru... às vezes tenho a impressão de que vim nesse mundo apenas para ajudar...”; mal sabendo ela que, uma das pessoas a quem mais ajudou estava ali, “ouvindo” aquelas palavras.
Sou imensamente grata pois, se tenho trilhado por esse caminho de doação, ela também me ajudou a construí-lo.
Com o passar do tempo ela deixou de ser um exemplo de persistência, para ser exemplo de esforço e doação. Ainda me impressiona a sua capacidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo sem que nenhuma delas saia mal feita.
Mas, o mais impressionante mesmo é que, assim como antes, ela ainda tem problemas. Talvez não os mesmos. Talvez mais ou menos graves, não sei. Mas ela os tem. E não é o fato de que ela tenha os seus problemas que me causa tanto encanto, mas sim a sua maneira de lidar com eles. Quem a conhece sabe do que estou falando. Falo daquele sorriso constante nos lábios. Daquele jeito que contagia quem estiver por perto. Da sua gargalhada alta e inconfundível. Daquele olhar, que mesmo quando transborda cansaço, consegue ser animador.
Falo ainda da sua maneira especial de ser uma “Letícia” diferente a cada dia, mas uma nova “Letícia” que jamais perde a sua essência... que jamais deixa de ter aquele coração ansioso de criança batendo forte no peito.
Hoje, a minha admiração baseia-se em tudo o que ela já representou e ainda representa em minha vida. Antes éramos amigas à lá Vinícius de Moraes; ela não sabia o quanto era minha amiga, não conhecia a importância que tinha em minha vida nem o carinho que eu lhe devotava. E contentava-me com isso porque há amigos que nos fazem felizes pelos simples fato de sabermos que eles existem.
Mas me bastou experimentar um pouco da sua convivência para saber que, contentar-me apenas com a sua existência é muito pouco frente ao que ela tem a oferecer. Toda a sua sensibilidade, sua força de vontade, sua coragem e, principalmente, sua alegria (a qual ela carrega até no nome) nos fazem querer inventar a eternidade, só para termos o prazer de desfrutar da sua companhia eternamente.
Posso dizer, sem nenhum medo de me enganar, que tenho a “alegria” entre meus amigos; entre aqueles que cabem nos dedos de uma mão.

Obrigada, Lety... por ser parte fundamental da minha vida!
Você pode até não imaginar quão grande é o amor que tenho por ti. E até acho que nem é assim, tão necessário, que você saiba a intensidade dele. Basta-me apenas que saiba, e tenha certeza, de duas coisas:





Primeiro, você é muito importante para mim, porque tornou-se um dos alicerces do meu encanto pela vida...





...e segundo...




...eu amo (muito) você!

Conte sempre comigo!

26 de março de 2011

"Cresça, independente do que aconteça!"

É assim que me encontro: coração na mão e mente aberta para tentar ser um pouco mais compreensiva do que já fui.
Fico pensando em todos os caminhos que cruzaram o meu e naqueles que eu escolhi trilhar. E é impressionante como sempre tenho a sensação de que todas as minhas escolhas foram erradas.
E agora, mais do que em qualquer outro momento da minha vida, estou de “saco cheio” de tantas decepções... por mais que eu acredite que elas ensinem a viver.
Mas do que adianta tantos ensinamentos se sou eu quem não consegue aprender?
Juro que desta vez vou tentar abrir os olhos e enxergar além das palavras, além daquilo que EU QUERO VER.
Cansei de me enganar, de “quebrar” a cara. Cansei de sempre acreditar em quem não deveria, de desconfiar daqueles que merecem a minha confiaça; cansei de sempre ter que me arrepender das minhas escolhas.
Estou aprendendo a não acreditar em sonhos. E tenho levado essa tarefa tão a sério, que já nem consigo mais dormir.
Estou envolvida por um torpor, do qual não consigo escapar. E tenho sentido tantas dores, que às vezes tenho a sensação de que tudo o que restou de mim está se dissolvendo lentamente. Então, pouco a pouco, sinto as minhas forças se esvaírem com a promessa de não mais voltar.
Nunca imaginei que eu conseguiria atingir tal estado de descrença.
E é bom que seja assim. É bom que morra o que ainda há de errado em mim. É bom que morram os sonhos, as fantasias e a esperança de ter encontrado alguém que se importasse um pouco com o que eu sinto... com o que penso.
Já estava passando da hora de crescer. Obrigada a todos que contribuíram para isso!

20 de março de 2011

Certo dia ela me disse:
— Eu não me arrependo de nada! E para ser meu amigo, o primeiro passo é aceitar as minhas “loucuras”! Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou como qualquer pessoa, às vezes fraca, vulnerável; outras forte demais. Não é difícil me conquistar... às vezes basta um sorriso ou uma palavra para que eu deixe de ser uma mulher e passe a ser uma menina. Na maioria das vezes, uma menina boba. Eu disse boba, não burra. Saiba diferenciar. Mas quer saber de uma coisa?! “Adooooooooooooooooooooro” esse meu jeito de viver!
— Sou muito ingênua com a vida. Mas isso não significa que eu seja uma santa. Apenas não consigo enxergar maldade onde deveria.
— E você se decepciona demais não é?!
— Sim... mas a vida também é feita de decepções.

Ela é o que se pode chamar de especial. Mais que isso, ela é rara.
Tem um “quê” de mistério que a envolve e um semblante de tranqüilidade que nos absorve.
Sabe suportar, não sem dor, todas as amarguras da vida. Batalha, luta, vence e perde, como qualquer um de nós.
A diferença é que “apesar de tudo ela tem sonhos” e carrega consigo a certeza de que será cada dia mais feliz.
Ela é um tanto quanto contraditória. Um misto de dúvidas e certezas. Sem uma medida certa para isso ou para aquilo. Mas é alguém que acredita em sentimentos, sobretudo nos alheios. E felizmente, ou não, crê que são sempre verdadeiros.
Ah, como seria maravilhoso se todas as pessoas do mundo fossem assim... tão cheias de dúvidas, mas mais repletas ainda de boas intenções.
Bom seria se todos os contrários do mundo fossem como os seus. Se só nos aterrorizasse ter que escolher entre a possibilidade de esconder para não perder ou perder por esconder. Quem dera se o nosso único medo fosse o de sentir medo ou se a nossa maior angústia fosse a de termos sido quem não somos, apenas para agradar uns ou desagradar outros.
Difícil mesmo definir quem mais parece uma caixinha de surpresas.
Arrisco-me a fazer das palavras de Clarice as suas:
— “Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!”
Ela é mais que um jogo de contrários. É vibrante e intensa. Sem meios termos, sem meias palavras, sem meios comportamentos. Ela é o que é, doa a quem doer.
É delicadeza e personalidade forte habitando um mesmo corpo, uma mesma alma. É coração grande, acolhedor. Mas é também um coração que sabe se partir em mil pedaços.
Ela corre riscos e por vezes “quebra a cara”, mas tem sempre consigo a certeza de que foi até o fim. É inocente e ao mesmo tempo sagaz.
E sobretudo, está sempre de braços abertos para receber o que o destino tem a lhe oferecer; e tem uma “mania” de enxergar um lado positivo em tudo o que recebe, seja bom ou ruim.
Tanto que você pode até empurrá-la de um penhasco que ela lhe dirá:
— "E daí?! Eu adoro voar!"

Ela está entre o limiar do sonho e da realidade. E como não sou boba nem nada, tratei de torná-la real. Porque seria um pecado se ela fosse apenas imaginação. Recebeu então o nome de Danielle. Para muitos, Dani; mas para mim, Pretinha; e só ela sabe o quanto ser “Pretinha” significa para mim.

Sem mais, só tenho mais uma coisa a dizer:

— Eu amo você!