21 de outubro de 2012

Meu velho caderno

Uma das primeiras coisas que aprendi, é que os erros também fazem parte dos ensinamentos da vida; e sempre que algo não dá certo, temos o direito de virar a página. E é isso que desejo hoje, recomeçar.
Decidi que o meu primeiro passo será reconhecer os meus limites. E reconhecendo-os descobrirei uma nova maneira de lidar com eles. Saber-se limitado talvez seja o que mais nos causa medo; muito provavelmente porque adquirimos a consciência de que não somos capazes de tudo o que pensamos ser. O medo faz parte da essência humana e é natural que, vez ou outra, provemos desse sentimento. O que não podemos permitir é que ele seja determinante, ou correremos o risco de vivermos eternamente assombrados.
Hoje percebo que o medo pelo sofrimento, o transforma em algo maior do que ele é. E quanto maior ele fica, mais medo sentimos. É um ciclo que não se encerra. Por isso resolvi assumir outra postura, enxergar o que me aflige por outro ângulo e compreender que o que me faz sofrer não deve me causar temor, mas sim coragem para enfrentar o que a vida tem para me oferecer.
Então, percebi que este é momento do meu fortalecimento. Só agora entendi que não posso enfrentar isso de qualquer jeito... preciso reunir as minhas forças. Porque não posso coroar como vencedor, quem só quer me derrotar.
Resolvi estabelecer com a vida um pacto de verdade e ser honesta com a história que estou escrevendo; com os medos que sinto e com aquilo que, verdadeiramente, merece o meu empenho e a minha atenção.
Sinto como se eu estivesse perdendo tempo e dando atenção ao que não necessita dela... detalhes bobos e às vezes nem tão bobos assim; mas que não podem superar o que realmente importa: a minha paz.
Assim como aprendi a escrever, aprenderei também a viver de uma maneira diferente. Quando escrevo, preocupo-me com cada detalhe, cada pontuação; se não for assim, jamais posso esperar ser compreendida. Talvez essa verdade se estenda à minha vida. Talvez toda essa bagunça seja porque eu não soube colocar os pontos nos lugares certos. Ou porque não soube reconhecer, quando deveria, a pontuação que já estava ali para ser lida. Deixei passar algumas exclamações e as emoções que elas codificam. Na verdade eu as troquei pelas reticências, pelas interrogações e pela incerteza (quase certa) do que poderia acontecer e não aconteceu.
Hoje darei início à busca pela serenidade e pela emoção que deixei trancafiada dentro de mim. Decidi que não quero que ela venha à tona somente sob a forma de mágoa. Eu nasci para exclamar e para mostrar que é possível ter esperança, mesmo diante das adversidades.
Sinto falta em minha vida das vírgulas e da calma que elas trazem consigo; falta dos pontos finais, porque acho que é a incapacidade de usá-los que nos traz tanto sofrimento.
Essas são as lições que eu aprendi enquanto tentava rabiscar algumas sílabas num velho caderno; as regras de pontuação que eu acreditava que diziam respeito apenas àquele pedaço de papel. Lições que hoje faço questão de compartilhar com vocês.
Há algo dentro de mim que clama por transformação e é por isso que tomei coragem de encarar o que me incomoda. Estou olhando o meu sofrimento de frente e me perguntando onde está a minha culpa... ou melhor, onde está a minha responsabilidade diante de tudo isso que está sendo ruim? Onde eu estou errando para que essa agonia perdure?
Sei que Deus olha por mim; e assim como Ele, eu também não quero perder tempo. Não adianta que a graça de Deus seja dinâmica se nós não conseguimos acompanhá-la. Ele é rápido, ama o tempo todo, perdoa o tempo todo; a graça de Deus nos envolve com velocidade e nós não temos o direito de ficarmos parados, estacionados.
Hoje eu descobri que também tenho pressa... pressa de querer a vida, de ser feliz, porque eu não sei quanto tempo ainda me resta.




"O mundo só anda armado, elitizado, cheio de interesses... e vc queria um amor! Isso é nobre!"

9 de outubro de 2012

Não mata, ensina a viver!

Tenho me decepcionado tanto e tão profundamente com as pessoas, que me faltam palavras para descrever o efeito disso em mim.
É muito mais do que dor. É uma sensação de vazio; o mesmo vazio que sentimos quando somos roubados.
Roubaram-me a fé no próximo, a crença de que as pessoas são essencialmente boas e a boa vontade de acreditar até que me provem o contrário.
Fico me perguntando por que todos (com raríssimas exceções) preferem o avesso ao direito? Porque as pessoas escolhem se envolver por interesse ao invés de interessarem mais por nossos sentimentos?
O que sentimos nem sempre nos aponta o melhor caminho. Vez ou outra nos vemos perdidos de nós mesmos, carregando dentro de nós uma angústia tão grande que chega a nos sufocar.
Mas nesse caminho há sempre um retorno; e para esta angústia há sempre um remédio, o tempo.
O tempo cura tudo, mas não consegue apagar as impressões que as irresponsabilidades alheias imprimiram em nós.
Viver baseando-se em interesse dá muito trabalho. É preciso uma preocupação excessiva com todas as coisas, é preciso pensar em todos os detalhes, em cada circunstância. Afinal a máscara (seja ela qual for) não pode cair.
Viver de “mentirinha” retira da vida tudo o que ela tem de bom: a espontaneidade.
Eu prefiro os tropeços, as quedas, a angústia e qualquer outro sentimento ruim que possa existir. Porque sou toda sentimento, emoção. E a mesma facilidade que tenho para chorar, tenho também para sorrir. E com a mesma velocidade que caio, me levanto.
Levanto, sacudo a poeira e sigo em frente. Sigo adiante com os braços bem abertos, para acolher tudo o que a vida tem para me oferecer.
E eu posso errar, me perder novamente, cair e demorar mais para me levantar... mas, sob nenhuma circunstância, deixarei de sentir.

11 de agosto de 2012

Como se fosse a última vez

E no momento em que sentimos que a vida está por um fio tudo parece fazer sentido.

Em uma fração de segundo nos recordamos de coisas que gostaríamos de ter dito e não o fizemos por medo, vergonha. Lembramos-nos de coisas que poderíamos ter feito e do que ainda há por fazer. Percebemos que ainda não fomos tão felizes quanto gostaríamos, nem realizamos tudo o que já ousamos um dia sonhar.

E enquanto a vida passa como um filme diante dos nossos olhos, somos acorrentados à sensação de que já não nos resta escolha, senão a de aceitar o que a vida tem para nos oferecer. Sentimos que perdemos o controle, as rédeas, a direção.

E junto a este turbilhão de sentimentos, de memórias e de promessas que fazemos a nós mesmos, está a ciência de que não somos senhores de coisa alguma, nem mesmo da nossa própria existência.

A vida é frágil e só quem já sentiu na pele a sua fraqueza consegue entender o que digo. Nunca dei ouvidos às pessoas que dizem que precisamos viver como se fosse o último dia. Talvez por ser otimista em demasia, sempre acredito que o amanhã está por vir. E está mesmo, mas pode ser que ele se perca no caminho.

Hoje tudo mudou. A partir de hoje não só concordo, mas também assino embaixo. Devemos mesmo ser felizes como se fosse a última vez. Carecemos aproveitar a vida em sua totalidade e retirar dela tudo o que há de bom. A partir de hoje serei a favor de tudo o que nos permite um pouquinho de leveza e alegria; e nos prendermos às urgências do dia-a-dia não é o melhor caminho para isso.

Hoje tenho consciência de que é necessário sonhar sim, mas que o presente, como o próprio nome já diz, é uma dádiva divina que precisa ser valorizada.

Dizem que só damos valor a uma determinada coisa quando a perdemos. Então, aqui vai um conselho meu: viva essencialmente enquanto ainda resta algum tempo. Nem sempre a gente recebe uma segunda chance.

3 de agosto de 2012

De bobo, só a cara!

Sabe, assim como qualquer pessoa, também odeio ser feito de bobo.
Odeio quando as pessoas me olham e me julgam diferente do que sou.
Tudo bem ter essa cara de cachorro que caiu da mudança, tudo bem a minha dificuldade de dizer não a qualquer pessoa, mas daí a pensar que posso ser feito de idiota?!
É muita pretensão sua achar que pode subestimar a minha inteligência, não acha?!
Bom, eu só queria que soubesse que sei bem quais são as suas intenções.
Esses seus doces e ternos olhos, não me enganaram.
Tudo bem... me enganaram sim; um pouco. E só no início. Mas agora já sei bem com quem estou lidando.
E quer saber?! Eu não me importo. É, eu não me importo. Eu te amo além de tudo... e além disso também. Acima de tudo, acredito que você ainda terá o seu momento de redenção. Acredito que guardará bons sentimentos no peito e, sobretudo, que estarei por perto quando isso acontecer.
Talvez não mais ao seu lado, porque, menina... paciência também tem limite. E a minha não é lá das maiores.
Mas, de qualquer forma, estarei torcendo por você. E estarei feliz, independentemente das circunstâncias.
Eu só quero que tenha consciência disso, de que eu sei quais são as suas pretensões! Quanto às minhas, deixo claro que meu único objetivo é te ajudar. Isso mesmo... ajudá-la a ser uma pessoa melhor! Porque amor só é amor, quando nos transforma no melhor que podemos ser.
E é isso que estou tentando desde o começo, dar a você o que há de melhor em mim.
Sei que não adianta dizer isso, mas um dia você dará a este pobre que vos fala o valor que ele realmente merece. Talvez nem seja tão grande assim, mas certamente é maior do que aquele que você me oferece hoje.
Tá aí! Eu gostaria de te perguntar isso... eu tenho algum valor para você? Significo alguma coisa?
É melhor nem responder, não é mesmo? Tenho certeza que você não quer me magoar.

(Risos)

De tudo, o que realmente importa é que um dia eu terei valor aos seus olhos. Um dia, seja num futuro distante ou não. E para ser sincero, espero que este dia não tarde; por mim e por você.
Sabe o que é?! É que eu acho que não há outra pessoa no mundo que possa amá-la mais do que eu. Porque, até hoje, só eu consegui amar os seus defeitos, as suas fragilidades e a sua indiferença. Amei tudo isso antes de conhecer a essência que você carrega escondida na alma; antes de me apaixonar pela docilidade dos seus olhos e pelas covinhas que se formam quando você sorri. Acredite, não há sentimento mais sincero do que este que levo no peito.
Só espero que você se dê conta disso em tempo hábil, pois não posso, e nem pretendo, esperar a vida inteira pelo seu amor (mesmo achando que somente ele me fará sentir completo).
Eu tenho muitos planos e desejos para cumprirmos juntos; nós dois, no plural e singular! E sei que seríamos imensamente felizes. Mas para isso preciso da sua ajuda, um detalhe determinante; preciso que me ame também.
Não pense que tenho preguiça de lutar por você, eu não tenho! Mas é que às vezes você parece tão alheia a tudo, que me falta estímulo para tentar uma vez mais.
Já me chamaram de louco, já disseram que meus planos são insanos e mesmo assim eu continuo insistindo. Insisto porque sei o que sinto e porque sei que existe algo mais entre nós. Algo que eu ainda não sei explicar. Mas está aqui e aí também!
Sabe... eu realmente gostaria que você me visse assim, como uma boa opção para a sua vida, a melhor delas. Mas tenho que admitir, está difícil manter as esperanças. Não por mim, mas por você. Sabe como é, essa sua indiferença me mata aos pouquinhos.
E eu espero que um dia você ame de verdade, mesmo que não seja eu, mas desejo que ame e seja correspondida. Só para que você tenha a sensação de como é se sentir completa.
Sabe menina, você pode esquecer tudo o que falei, só não se esqueça de que eu conheço as suas intenções. Eu sei que você não quer se prender, mas acredite em mim: você já está presa. E não tente se explicar, eu já sei que não há maldade nos seus atos. É por isso que ainda estou aqui; para roubar toda essa tristeza e transformá-la em algo melhor. Então não pense que você está me enganando ou que conseguiu me iludir; eu sei que você ainda não me enxerga do jeito certo, sei também que não me ama, mas isso para mim é um mero detalhe. Eu estou aqui para você, porque quero e porque preciso. Amar você me mantém vivo.

4 de julho de 2012

Secret smile

— Bom, eu gostaria de te pedir desculpas.


— Descul... ?

— Por favor, não me interrompa. Eu ensaiei tudo isso umas mil vezes no espelho do meu banheiro; deu trabalho. E outra... não quero ficar, mais uma vez, parecendo um bobo na sua frente. Hoje eu queria saber o que dizer, saber falar, argumentar. Claro, sem que você me interrompa!

— Tudo bem se for assim?! — Ótimo! Você sabe mesmo ser compreensiva!

— Então, como eu ia dizendo, eu gostaria de te pedir desculpas! É isso mesmo! Não adianta fazer essa cara de “eu não estou entendendo nada”, porque você sabe bem o motivo pelo qual estou aqui. Sem falar que esse seu altruísmo incondicional me deixa ainda pior.

— Calma... Eu sei, eu sei que você não faz com essa intenção. Sei bem que esse é o seu jeito. Sei que você tenta exaustivamente agradar Deus e todo o mundo e saber disso me faz sentir um canalha ainda pior! Sabe, eu preferiria que você fizesse um escândalo, que me mandasse “pra aquele lugar”, me desse um tapa na cara. Qualquer coisa seria menos dolorosa do que ter que olhar esses olhos revestidos de um disfarce barato, que tenta a todo custo esconder sua decepção.

— Eu sei que eu errei. Errei muito. Errei feio. E pior, errei com a única pessoa que não merecia! E não me venha dizer que não é assim só porque você está com pena pelos meus olhos cheios d’água. Eu mereço isso. Mereço essa dor.

— Espera aí! Você deve estar imaginando que vou confessar uma traição né?! (risos) Eu sei como a sua cabeça funciona. Mas não é isso. Disso eu não seria capaz! Mas ao meu ver, o que eu fiz foi pior. Se eu tivesse te traído você choraria um mês sem parar, no próximo sairia todos os dias com seus amigos e diria que todos os homens são iguais e que você está bem melhor sozinha; no outro você começaria a ouvir Adele e a sentir falta de alguém para fazer um carinho... Sim! Fazer um carinho... porque você nunca pensa em receber! “O que vier é lucro”, não é assim que você dizia?! Então... e por fim, se convenceria de que não vale a pena tanto ceticismo e abriria seu coração para um novo amor.

O que fiz foi pior, porque não a vejo recuperar, mesmo depois de tanto tempo. Acho que fui te matando aos poucos. Logo eu, que dizia te amar tanto né?! E é por isso que estou aqui, para reconhecer e justificar os meus erros. Mentira! Não tenho a pretensão de me justificar, até porque não consigo fazer isso nem para mim mesmo. Mas apesar de tudo e depois de muito pensar descobri que tudo o que fiz foi por amor. Meio clichê isso, eu sei! Mas antes verdadeiro e clichê a falso e original. Não tenho nenhum plano mirabolante, não vou me fazer de vítima e esperar que você me acolha em seus braços novamente. Quero apenas ser verdadeiro, como nunca fui antes. Como eu dizia, foi mesmo por amor. E disso você não pode duvidar, porque sabe que foi a única pessoa que amei. Talvez ainda ame, não sei... mas vejo que não há mais espaço para nós. Eu admito que a minha forma de amar é um pouco diferente da sua, talvez mais possessiva. Não acredito naquela baboseira de “deixar livre tudo o que amo, se voltar é porque a tive; se não, é porque jamais me pertenceu”. Era por isso que eu queria você sempre por perto. Era insegurança, medo de te perder para uma liberdade mais vistosa. Achei que mantendo-a sob o “meu controle” você estaria sempre comigo. Ledo engano! Hoje vejo que quanto mais eu me esforçava para te “aprisionar”, mais você se distanciava de mim. Fico me perguntando como eu pude ser tão estúpido! E o que mais me maltrata é que você também me avisou que essa minha mania de você iria acabar com tudo! E acabou.

— Sabe, eu sinto falta das nossas conversas sem compromisso. E do tempo que a gente perdia fazendo nada juntos. Era bom... triste né, essa palavra?! Era! É estranho o poder que ela tem de nos fazer inúteis. E é bem assim que me sinto quando penso em nós dois, um completo inútil! Por que?!

— Cara, tudo o que eu mais queria era estar sempre contigo... te amar e te proteger de tudo e de todos! Ver você crescer e vencer na vida... acompanhar o seu sucesso! E olhe para nós... olhe bem para onde nós estamos! Você com a sua vida inteira pela frente, vencendo e levando adiante todos os seus sonhos e eu aqui, sentindo como se a vida tivesse arrancado um pedaço de mim! E tudo isso porque eu tive medo; porque fui imaturo e inseguro; porque te amei além do que eu devia.

— Não... não precisa dizer nada! Eu sei que agora é tarde! Eu não preciso ouvir isso mais uma vez! Eu vim aqui só para lhe fazer um pedido. Não, não quero uma segunda chance! Sei que você não me daria essa oportunidade... e se desse, acho que eu faria a mesma coisa! Então, não vim para isso! Vim para dizer que não a reconheço mais. E percebi isso enquanto olhava nossas fotos antigas. Doeu ver o quanto você mudou e doeu mais ainda saber que eu contribuí para que isso acontecesse! Você não tem mais aquele brilho no olhar, e todas aquelas coisas cintilantes que todo mundo via ao seu redor desapareceram. Você está apagada. Até o seu sorriso não é mais o mesmo! Continua aberto, cheio desses dentes brancos e impecáveis, mas há algo em seus olhos... algo dizendo que você não é realmente feliz. Fico me perguntando onde você deixou aquela sua empolgação, a sua vitalidade. Sem falar naquele jeitinho de menina de 10 anos de idade, que mata qualquer um do coração! Onde tudo isso foi parar?! Cadê as suas demonstrações explícitas de carinho?! Cadê as lágrimas que, por qualquer motivo, rolavam pelo seu rosto?! Por onde andam aquelas canções que você insistia em cantarolar e dançar quando achava que estava sozinha em casa?! Eu tenho te visto tão séria, tão calada... e sei que você não é assim. Eu não queria ter roubado esse seu jeito doce de ver a vida e as pessoas. Não queria tirar de você justo o que me fez tão apaixonado! Não era essa a minha intenção... juro! É por isso que estou aqui... para pedir que você se abra novamente! Sem medo de se machucar, sem medo de se arrepender. Porque medo?! Medo, definitivamente, não combina contigo! Se arrisque mais, viva intensamente e se dê o luxo de viver um amor que vai lhe tirar do chão! Você precisa disso. Você não é feliz sozinha. Sorria mais! Não de qualquer jeito, mas aquele sorriso que só você tem! E não tente esconder a criança que existe em você... você é tão mais bonita quando está de mãos dadas com ela! Não se envergonhe da sua forma de demonstrar seus sentimentos... você nem imagina como é bom sentir-se amado por você. Volte a ser passional, cheia de defeitos imaginários, de dúvidas e incertezas, mas volte a ser feliz, volte a ser você!

— Está surpresa?! Eu imaginei mesmo que ficaria. E não me leve a mal, mas eu prefiro a menina de antes... a senhora de hoje não é bem a sua cara!

— Bom, então é isso que eu tinha para dizer.

— Não... não diga nada! Vou me sentir melhor assim. Apenas pense nas coisas que eu disse! E... bom... adeus... foi bom vê-la novamente!

— Até logo!

— Sabe... A forma mais sutil de se despedir de quem amamos é dizer até logo.
E nunca mais voltar.

2 de julho de 2012

Eu, você, nós

Para a minha descrença, as suas palavras.
Para as minhas dúvidas, os seus gestos.
Para o meu medo, o seu sorriso.

Para as suas questões, o meu apoio.
Para o seu bem-estar, os meus cuidados.
Para a sua paz, o meu abraço.

Para a minha insegurança, a sua sinceridade.
Para as minhas paranoias, a sua paciência.
Para as minhas chatices, a sua gargalhada.

Para o seu desânimo, o meu colo.
Para a sua desconfiança, a minha lealdade.
Para suas lágrimas, meu ombro.

Para o meu impasse, o seu conselho.
Para a minha vida, a sua presença.
Para minha saudade, sua chegada.

Para as suas vitórias, o meu orgulho.
Para as suas expectativas, minhas oportunidades.
Para os seus desafios, a minha confiança.

Para as nossas manhãs, mais “bom dias”.
Para os nossos beijos, mais tempo.
Para nossas noites, mais surpresas.

Para nossos detalhes, atenção.
Para nossos problemas, mãos dadas.
Para nossas soluções, ideias.

Para o nosso destino, o futuro.
Para o nosso futuro, a felicidade.
Para a nossa felicidade, os nossos sonhos.
E para os nossos sonhos, a eternidade.

30 de maio de 2012

~ Guardados

Há momentos que não passam. Ou melhor, há momentos que nós não deixamos passar. Escolhemos revivê-los à nossa maneira só para experimentarmos novamente as sensações que um dia se abrigaram em nossas almas. Hoje eu quis reviver o meu último aniversário; na verdade apenas um instante deste dia. Um pequeno intervalo de tempo suficiente para me emocionar e me marcar para sempre! No último dia 01 de outubro eu chorei ao ler uma carta e hoje, ao reler essas palavras, choro novamente. E em meio as lágrimas, agradeço a Deus e à vida pela sua amizade!



"Há algum tempo comecei a escrever-lhe uma carta, e confesso, perdi. Perdi-me no tempo de coisas e urgencias - essas malditas horas urgenciais que um dia descobriremos que foram banais - e deixei de elaborar a importância de muitas outras (e de muitas pessoas) para mim. Dias atrás lembrei-me do seu aniversário. Entrei em desespero: precisocomprarpresentecomovouencontra-lapraentregareacartaaindanãotermineimeudeuseagora?
Então, me acalmei um tempo. E não acabei a carta. Não acabei AINDA, porque não queria que ela saísse de um jeito desesperado, sério. Eu quero dar a essa carta todas as letras, desconfio que ela sairá com páginas. Não sei quando vou te entregar - estou sendo muito sincera. Vou tentar, claro, dá-la ainda nessa vida rs Mas não corri com tudo o que quero e preciso escrever, o que não me impede de elaborar outras coisas para te dizer nesse dia - que sei que é importante para você.
Uma vez eu disse a Tchu minha visão sobre como são algumas mulheres. Mulheres calmaria, tempestade, furacão, chuva. Dei a ela o exemplo de minha irmã: uma mulher tempesta. Lindíssima, mas em qualquer minuto, alguém lhe rouba a paz, e ela se torna lágrimas, cuspe, gritaria, nervos. Tchu é uma mulher alvorecer, calmaria, ao lado dela sempre é dia, ainda que a noite chegue.
Bruna é uma mulher chuva fina batendo na janela. Chuva com sol ao mesmo tempo. É como estar numa tardezinha com uma pequena angústia no coração - a alegria está lá, num sol forte e amarelo, junto com a tristezinha, batendo como chuva fininha no chão (usei muitos diminutivos, mas não foi à toa). Você é como eu, uma mulher feliz, mas com todos os outros sentimentos embaralhados ao mesmo tempo por dentro, rodando e empurrando como tufão. Só que nós conseguimos controlar e deixamos sempre o sorriso aparecer para os outros. Guardamos e oferecemos o sol, e fazemos com que todo o restante, que tenta explodir dentro do peito, vire apenas a água que desce gélida pela janela - nossos olhos - da alma. Poucas pessoas notam a água descendo e conseguem extrair sua beleza. Não se pode chamar de triste quem ignora sua chuva para doar a claridade de seu sol. Essas pessoas são belas. São mulheres chuva com capuccino e pão de queijo, mulheres cheiro de pipoca com manteiga, mulheres música de Rachael Yamagata dividindo edredon com quem se ama, mulheres foto antiga de abraço engraçado para emoldurar na parede, mulheres mar de águas quentes durante a noite, mulheres rocha se desgastando lentamente pelo vento, mulheres amor maior do mundo. Mulheres Bruna.
Desejo, que no seu aniversário, a chuva cesse um pouco. O seu dia merece ser completamente ensolarado, sol laranja forte de felicidade. Mais ainda, espero que todas as pessoas lhe doem suas estrelas, enfeitem seu rosto de beijos, seu corpo de abraços, seu ar de alegria e amizade. Mas depois deixe a chuva voltar... Porque você é completa com ela, não pode deixar de sentir todo esse amor pelo mundo que não pediu para ter. Porque você é menina pássaro - e meninas pássaros vão para o paraíso.
Parece que hoje não poderei te encontrar, mas quero ser ao menos um raio solar para você e dividir um abraço. Por enquanto, vamos dividir música bonita de Ingrid Michaelson, música que vale para todo tipo de amor, do jeito que só a gente mesmo sabe que é lindo.


'If you were falling, then I would catch you.
You need a light, I'd find a match,
Cuz I love the way you say good morning.
And you take me the way I am.
If you are chilly, here take my sweater.
Your head is aching, I'll make it better.
Cuz I love the way you call me baby.
And you take me the way I am.
I'd buy you Rogaine if you start losing all your hair.Sew on patches to all you tear.
Cuz I love you more than I could ever promise.
And you take me the way I am.'

Eu amo você!

Desculpe as rasas palavras.

Feliz aniversário!


21 de abril de 2012

Canteiros

"Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz."*

(*Renato Teixeira e Almir Sater)



Ao ouvir essa canção, a qual foi trilha sonora da minha infância, me pus a pensar na vida. E ao fazê-lo recordei-me daquela passagem bíblica que nos diz que “debaixo do céu existe um tempo para cada coisa”.
A vida e suas regras... cabe a nós a habilidade de conhecê-las, nos seus mínimos detalhes, para que aquela esteja favorável a nós.
Eu tenho muito medo de começar a viver de forma contrária à vida, seja por não conseguir descobrir o movimento natural dos fatos, dos acontecimentos, seja por qualquer outro motivo. Quando não fazemos com que o nosso coração seja um território onde a nossa existência possa acontecer de forma natural, corremos o risco de comprometermos a nossa experiência; e como acreditamos que esta única, carecemos viver bem cada momento.
A sabedoria nos diz que precisamos compreender e aceitar o tempo de cada coisa, e a música acima nos diz exatamente isso. Da mesma forma como é natural a reação da natureza no momento em que a chuva visita a secura do chão, assim também devemos reagir diante do que nos é oferecido.
Viver (bem) é basicamente isso. Entendermos que também temos (ou deveríamos ter) um tempo para cada coisa; e que também possuímos este movimento natural, que nos encaminha até mesmo para as curas que precisamos viver. O tempo é uma arma favorável, desde que a gente permita que seja natural a passagem dele por nós.
“É preciso paz pra poder sorrir” e é verdade. O sorriso não nasce por acaso. Antes de ser esboçado ele foi construído. Quando você vir um sorriso sincero em qualquer rosto que seja, tenha certeza de que muito foi realizado para que ele pudesse acontecer.
É interessante percebermos as construções que precedem o acontecimento. E repito, nada é por acaso! Imaginem quanto precisamos viver, quanto precisamos estudar, andar, conhecer, sofrer, perder, para chegarmos onde estamos! E é por isso que não podemos negligenciar a oportunidade de “sermos” hoje. Simplesmente porque não foi por acaso! Foi preciso muita luta para caminharmos até aqui.
Muitas vezes encontramos pessoas realmente sábias ao longo da vida, e as reconhecemos graças a capacidade que possuem de falar e contar as suas histórias de um jeito já “curado”. É então que nos perguntamos como tanto sofrimento pode ter cedido lugar a um sorriso tão largo?!
Eis que surge a resposta: “ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”. E na minha opinião não há nada mais fantástico que a construção do sorriso! Boa parte das nossas alegrias nos demanda tempo; e é por isso que, no momento em que ela visita o nosso coração, somos preenchidos por aquela sensação de termos encontrado exatamente o que estávamos procurando. Trata-se de algo que se registra definitivamente em nós, marcando-nos para o resto de nossas vidas. E jamais esqueceremos aquela sensação porque a mesma não aconteceu por acaso, foi construída com esforço e talvez até um pouco de sofrimento.
Mas é incrível como aquele momento de alegria é capaz de apagar todas as imperfeições do caminho que nos levou até ele. E após o sorriso sincero é como se aquele sofrimento nunca tivesse existido, pois a alegria alcança o seu limite máximo quando dá um novo significado ao passado. É como a mulher que sofre as dores do parto e que depois de ter o filho nos braços, não se recorda da dor que sentiu.
A vida é assim... nós só precisamos permitir que ela aconteça de forma natural. E é natural que vez ou outra algo nos desajuste e nos desoriente, mas quando temos fé na vida, carregamos dentro de nós a esperança de que tudo vai se encaixar; e que para que isso aconteça, só é preciso um pouco de calma.
Particularmente falando, eu me deixo levar demais pelos sentimentos, o tempo todo. Resumindo, eu sou muito “à flor da pele”. E por saber disso é que eu tenho a consciência de que preciso aprender a deixar de sê-lo, já que a vida não é perfeita, muito menos as pessoas. Mais cedo ou mais tarde as coisas podem fugir do nosso controle e é fundamental que saibamos lidar com isso. É horrível quando percebemos o quanto nós nos estragamos, o quanto sacrificamos o nosso bem-estar com as nossas pressas, as nossas ansiedades, as nossas iras. E então descobrimos que isso só diminui no instante em que a sabedoria visita o nosso coração, no momento em que começamos a lidar com a vida com a mesma simplicidade que outras tantas pessoas já experimentaram.
Funciona, mais ou menos, como tocar um instrumento. Com o passar do tempo o que antes era novo, torna-se corriqueiro, até automático e passamos a lidar com ele com mais simplicidade; buscando a nota que sabemos onde mora, mas, ao mesmo tempo, permitindo que a nossa criatividade nos faça encontrar o mesmo acorde, porém de um jeito novo.
Ao compormos a nossa melodia, devemos ter em mente que vamos compartilhá-la com outra pessoa e que este é o motivo que justifica a mudança dos seus acordes. Talvez tenhamos experimentado na maioria do tempo notas de tristeza e sofrimento, entretanto doá-las a alguém é injusto. Não há quem mereça receber tristeza! Não devemos transmitir o peso do que vivemos, mas aproveitar a oportunidade de dar um novo significado ou de interpretar de um jeito diferente a melodia que foi tão desarmoniosa para nós.
É a vida. É a construção da sabedoria. A esta última se constrói quando temos a oportunidade de olharmos para o vivido e encontrarmos um novo jeito de significá-lo.
Tanta sabedoria em uma letra tão ligada ao contexto rural pode causar surpresa em algumas pessoas; mas acredito que elas o sejam justamente por esse motivo. Quem tem contato com a “roça” sabe bem o que é esperar.
Quem planta sabe que ao se lançar ao chão uma semente, é necessário aguardar o tempo adequado para ela nasça. Mais que isso, é necessário cuidar, adubar, regar e rezar; rezar pedindo a Deus que não falte chuva ou que ela não caia em excesso. Quem planta concede todo o cuidado necessário para garantir àquela semente o direito de crescer; o resto espera-se acontecer. É nesse momento, após um dia de trabalho, que o chapéu é retirado da cabeça e colocado sobre o peito como sinal de respeito; e uma prece é destinada aos céus, rogando ao Senhor proteção para a sua lavoura.
É a sapiência do simples, do rural, nos ensinando que a vida é assim mesmo. Nós também cuidamos das nossas coisas, das nossas questões, dos nossos sentimentos. Mas há sempre um momento em que a gente tira o chapéu e entrega para Deus.
O que não podemos ignorar é que nada irá nascer, florescer ou frutificar, se antes não for plantado. Essa é a atitude de que deve se tornar rotina. Hoje precisamos plantar um novo tempo. Hoje precisamos nos plantar novamente, a fim de que no amanhã eu possa desfrutar da experiência do renascimento.
Aquele que fomos ontem já não serve mais para o dia de hoje. Por que? Porque a vida mudou. Ela foi vivida, ela avançou. E hoje precisamos encontrar um novo motivo para sermos a nossa essência, precisamos reorganizar as nossas esperanças, nos refazermos; e se não seguirmos essa premissa, a chance de fracasso é alta.
É necessário plantarmos algo novo diariamente, para que tenhamos sempre a oportunidade da colheita. Caso contrário, chegará o dia em que estaremos diante de nossas vidas e não teremos nenhum fruto para colher.
A mesma pessoa que se colhe o tempo todo, é também a mesma que precisa plantar-se e ser cuidada. Pois dentro de nós, estão todos os canteiros em suas fases respectivas.
Se sentimos hoje a necessidade de termos um fruto pra colher e não o encontramos, talvez seja porque tenhamos negligenciado o seu plantio; ou porque tenhamos negligenciado o cuidado do que foi plantado um dia.
Jamais podemos perder a dinâmica das esperas. Esperar não é ficar sentado, mas trabalhar o tempo todo. O tempo das esperas é o tempo do preparo. Hoje estou aqui, trabalhando em todos os canteiros que sou. Somente para que hoje eu possa me semear, para que hoje eu possa me cuidar e para que também hoje eu possa recolher frutos desse coração que sou.

11 de março de 2012

O que não precisamos guardar

É estranho o nosso jeito de esperar o novo sem a intenção de nos desfazermos do que é antigo. O passado não passa quando fechamos a porta para que ele não vá embora.
Todas as vezes que insistimos em martirizar dentro de nós alguma experiência negativa, devemos fazê-lo com a consciência de que esta não vai passar.
Todos nós sabemos que o tempo é o melhor remédio que podemos viver, experimentar e administrar em nós. A dor que me afligia tanto ontem, talvez amanhã esteja menor, mais suportável. É o efeito do tempo sobre a nossa vida; se não nos cura, nos acostuma.
Diante de algo que nos incomoda, que nos impede de seguir adiante, a primeira coisa é saber que só podemos fazer o que estiver ao nosso alcance. Não andianta esticarmos os braços para tentar alcançar o inalcançável.
Se existe algo nos engasgando, ou se ainda há qualquer coisa que precisa ser resolvida em nosso coração, precisamos ter atitude e resolver; seja através das palavras, seja pelas lágrimas. Se podemos fazer algo para diminuir essa sensação de desconforto que muitas vezes nos sufoca, devemos fazer sem medo. Porque dessa forma, mesmo que lentamente, começamos a abrir as portas para que esse passado possa nos deixar e ocupar o seu devido lugar.
Qualquer atitude oposta a essa nos faz reprezar a experiência que não valeu à pena, agarrar-nos, sem necessidade, ao acontecimento que nos machucou. Então a gente, mesmo que involuntariamente, se coloca num processo contínuo de “automutilação”, já que as lembranças, o rancor e o ressentimento só nos causam novas feridas.
Eu nunca conheci alguém que se sentisse bem, que ficasse “curado” guardando ressentimentos. Por um simples motivo: o que é o ressentimento?
Re-sentir. É sentir várias vezes. Sendo assim, jamais irá cicatrizar por completo.
Alguém já reparou que quando temos uma ferida em cicatrização, durante o processo ela começa a coçar?!
Existem muitas situações afetivas que no momento em que começamos a nos recuperar dela, temos aquela sensação de querer retomar. São as “coceirinhas” da cura.
O importante é saber que devemos manter o nosso controle. É termos a consciência de que se coçarmos aquela ferida já quase curada, causaremos uma ainda maior.
Então, segure-se. E não ceda às provocações que não lhe oferecem um retorno concreto. Consiga manter sobre controle os seus olhos. Consiga manter sobre controle os seus ressentimentos. Consiga manter sobre controle as suas carências. E então, viva a libertação das injúrias que aquele fato lhe provocou.
É a vida... todo mundo se machuca. E infelizmente (ou não) não podemos construir uma redoma ao nosso redor. É por isso que precisamos saber que vez em quando as pessoas vão nos ferir com suas palavras, talvez até com as suas atitudes. O que não podemos permitir é que a palavra e a atitude que ferem, venham demorar demais em nós; venham se estender além do tempo que deveriam ficar, e com isso acabem por estragar a nossa essência.
Nos afetos funciona desse jeito. Quando algum acontecimento nos magoa verdadeiramente perdemos a disposição pra tudo; porque, independentemente do que tenha acontecido, aquilo tem um impacto sobre nós. E nos afeta tanto porque aquilo que talvez tenhamos perdido tinha um significado importante em nossas vidas. O que precisamos é aprender a administrar o tempo que esse impacto vai durar. Afinal, é o nosso ser, a nossa essência que está em jogo!
E acredite! Há sempre uma “feridinha” que precisa ser cuidada.
Há mais em nós precisando de consertos do que podemos perceber! Há muitas “curas” precisando serem feitas! E muitas vezes, é necessário voltarmos ao nosso passado para compreendermos o nosso presente.
Porque às vezes somos tão arrogantes? Será que alguma vez no nosso passado fomos humilhados demais e, porque fomos humilhados demais, temos dificuldades de gerir os momentos em que alguém nos contesta?
Ninguém é por acaso.
A renovação do “ser” acontece através da nossa reflexão; naqueles momentos em que começamos a colocar em ordem os nossos sentimentos desordenados, ou quando começamos a retomar a harmonia que às vezes a vida e os acontecimentos retiraram.
É isso que eu lhe desejo... que no hoje da sua vida, da sua história, você esteja empenhado em curar as feridas do seu ser. Se te machucaram, se te magoaram, se te feriram, não leve isso contigo. Ou melhor, leve! Leve como ensinamento para que você não faça o mesmo com o outro. Mas não permita que isso se transforme em amargura.
A tristeza para ser criativa tem que exercer dentro de nós o movimento da superação. Se estamos tristes, chateados ou magoados, devemos viver estes sentimentos com o propósito de superá-los. Pois, se não superamos, corremos o risco de colocar em nossas vidas um sabor amargo. E este, não faz bem ao coração.Um coração amargurado não consegue perceber a vida, permanece focado sempre nas mesmas coisas. E quando não ampliamos o nosso olhar, aumentamos as chances de infelicitar a nossa experiência de vida.
Eu desejo do fundo do meu coração que hoje a sua essência possa ser fortalecida!
Não permita ser objetificado por alguém, não permita nenhum tipo de desrespeito. Tenha a coragem de gritar a sua independência. Porque a vida te quer livre! Livre e com condições de mergulhar cada vez mais fundo nos seus mistérios.
Corrija o que for necessário, conserte o que estiver quebrado e, sem dúvidas, as suas obras serão muito mais satisfatórias. Porque no final das contas, é isso que desejamos: um coração puro para que a nossa atitude possa ser apenas um reflexo de um gesto que ainda nem começou. O gesto, mesmo antes de acontecer, tem o poder de nos mover. É um movimento que o outro não percebe, mas que nos leva a ir adiante, nos trás coerência. Antes do nosso gesto de amor, existe em nós um coração que ama. E isso precisa ser cuidado o tempo todo. Porque um coração fragilizado demais, machucado demais, pode vir a se tornar um território infértil; e aí, de nada adianta uma atitude.
Quando realizamos um gesto de amor, não é só o outro que é beneficiado, mas nós também somos. Porque o amor, assim como ele faz bem a quem recebe, também faz um bem imensurável a quem o oferece.

20 de fevereiro de 2012

Hoje é dia de Alice! ~

Nenhum dia seria mais oportuno para falar sobre amizade do que hoje. Simplesmente porque hoje é dia de Alice. A Alice que, quando pode, tenta me fazer acreditar em um mundo de maravilhas. Em um universo que talvez ela tenha criado para si mesma, mas que não se importa em dividir comigo. Por vários motivos! E o principal deles seja talvez essa tal de amizade.
Amizade é uma espécie de parentesco, um tipo diferente, espiritual. Aquele que reconhecemos quando nos olhamos nos olhos e percebemos que temos algo em comum. E porque temos algo em comum, a vida se encarrega de nos encaminhar para ficarmos juntos em todo e qualquer momento. Nos momentos de alegria, de dificuldades, de tristeza, de desespero, de esperança.
Amigo é a oportunidade que nos é dada de sermos visitados por uma graça divina. É o território humano onde Deus se manifesta; pelo qual Ele nos fala.
O que mais encabula na amizade é que ela ultrapassa a possibilidade de estarmos juntos, fisicamente falando. Porque às vezes nos sentimos amigos de pessoas que jamais estiveram ao nosso lado; eu mesma tenho amigos que nunca vi, que nunca abracei. Mas isso não os tornam menos importantes para mim!
Amigos não são apenas aqueles que participam diretamente de nossas vidas; não são só aqueles que visitam nossas casas ou nós as deles. O significado dessa palavra é maior... bem maior. E se ainda não for, nós podemos (e devemos) dilatá-lo. Pois não acredito que eu seja a única a pensar que é importante nos reconhecermos um pouco em outras pessoas. Mais que isso! É maravilhoso termos alguém capaz de quebrar os nossos paradigmas, as nossas ignorâncias; e aqueles que tem o poder de realizar isso em nós pode, sim, ser chamado de amigo.
E eles o são porque nos convidam a superar, cada vez mais, os nossos limites. Porque são a palavra que nos orienta, a regra que nos coloca em um caminho menos agreste. São amigos porque nos ajudam a quebrar o que em nós precisa ser quebrado; ou a remendar o que em nós precisa de remendos. E mais, porque ajudam a dar sentido para aquilo que em nós está vazio, nos retirando do caos e fazendo o nosso absurdo ter algum significado.
Com o passar dos dias percebi que, para sermos realmente felizes, precisamos ter raízes. E as nossas raízes verdadeiras são pessoas. Muito mais do que o lugar em que eu nasci, as raízes que eu digo ter são amigos que ainda me conhecem, que ainda me freqüentam. São aqueles que ainda visitam minha alma com as suas influências positivas. Pessoas que com o seu olhar são capazes de me ajudar a compreender o próprio significado da vida.
Nós não podemos permitir que a superficialidade seja nossa regra. E nisso nós precisamos ser antigos! Precisamos cultivar a amizade que nos coloca na perspectiva do crescimento. É importante termos alguém que tenha acesso ao nosso coração, que saiba reconhecer o que a gente precisa, quais são as nossas fragilidades, quais os nossos limites. E reconhecendo isso, através de uma postura amorosa, seja capaz de nos ajudar nesse processo. E o mesmo nós devemos fazer pelos outros.
A vida é assim, sempre uma experiência de generosidade.
Eu tenho cada vez mais a convicção de que saber ser amigo é ter a capacidade de saber fazer um empréstimo. Emprestar o coração, o ouvido, o braço, o ombro, o colo, o olhar. Porque bons amigos são aqueles que se emprestam no momento da necessidade.
A amizade consiste em sermos para o outro aquilo que ele não tem naquele momento. Nós não somos anjos, somos humanos; marcados por limites, por incompreensões, e por dificuldades. Erramos e acertamos, mas somos capazes de amar e sermos leais; é isso que faz de nós um amigo de verdade. É isso que nos faz capaz de podar o que há de ruim no outro com apenas uma palavra. Quem se compromete não permite que cresça dentro do coração que ama algo que possa ser ruim. E é bom termos alguém que também cumpra o papel de nos amar do jeito certo, e de fazer acontecer dentro de nós a ressurreição de cada dia. Por um simples motivo... há dias que nos sentimos meio mortos... e então, precisamos renascer!
Obrigada, Alice, por tantas vezes me fazer acreditar que eu poderia nascer de novo. Obrigada por me reinaugurar, mesmo quando eu estava decretando falência. Obrigada por sempre acreditar em mim e por me apoiar, mesmo que a distância. Obrigada por ser sempre presente e por fazer questão disso! Obrigada pelas palavras, pelo incentivo, e pelo carinho. Sobretudo, obrigada pela amizade!
Eu poderia lhe desejar muitas coisas hoje, poderia lhe dar alguns presentes, mas talvez, daqui a alguns anos, eles já tenham se acabado. O que lhe ofereço hoje, pode (e irá) existir para sempre... pelo menos para sempre enquanto eu viver! São o meu respeito e a minha amizade!


Feliz aniversário!



(18/02/2012)