11 de março de 2012

O que não precisamos guardar

É estranho o nosso jeito de esperar o novo sem a intenção de nos desfazermos do que é antigo. O passado não passa quando fechamos a porta para que ele não vá embora.
Todas as vezes que insistimos em martirizar dentro de nós alguma experiência negativa, devemos fazê-lo com a consciência de que esta não vai passar.
Todos nós sabemos que o tempo é o melhor remédio que podemos viver, experimentar e administrar em nós. A dor que me afligia tanto ontem, talvez amanhã esteja menor, mais suportável. É o efeito do tempo sobre a nossa vida; se não nos cura, nos acostuma.
Diante de algo que nos incomoda, que nos impede de seguir adiante, a primeira coisa é saber que só podemos fazer o que estiver ao nosso alcance. Não andianta esticarmos os braços para tentar alcançar o inalcançável.
Se existe algo nos engasgando, ou se ainda há qualquer coisa que precisa ser resolvida em nosso coração, precisamos ter atitude e resolver; seja através das palavras, seja pelas lágrimas. Se podemos fazer algo para diminuir essa sensação de desconforto que muitas vezes nos sufoca, devemos fazer sem medo. Porque dessa forma, mesmo que lentamente, começamos a abrir as portas para que esse passado possa nos deixar e ocupar o seu devido lugar.
Qualquer atitude oposta a essa nos faz reprezar a experiência que não valeu à pena, agarrar-nos, sem necessidade, ao acontecimento que nos machucou. Então a gente, mesmo que involuntariamente, se coloca num processo contínuo de “automutilação”, já que as lembranças, o rancor e o ressentimento só nos causam novas feridas.
Eu nunca conheci alguém que se sentisse bem, que ficasse “curado” guardando ressentimentos. Por um simples motivo: o que é o ressentimento?
Re-sentir. É sentir várias vezes. Sendo assim, jamais irá cicatrizar por completo.
Alguém já reparou que quando temos uma ferida em cicatrização, durante o processo ela começa a coçar?!
Existem muitas situações afetivas que no momento em que começamos a nos recuperar dela, temos aquela sensação de querer retomar. São as “coceirinhas” da cura.
O importante é saber que devemos manter o nosso controle. É termos a consciência de que se coçarmos aquela ferida já quase curada, causaremos uma ainda maior.
Então, segure-se. E não ceda às provocações que não lhe oferecem um retorno concreto. Consiga manter sobre controle os seus olhos. Consiga manter sobre controle os seus ressentimentos. Consiga manter sobre controle as suas carências. E então, viva a libertação das injúrias que aquele fato lhe provocou.
É a vida... todo mundo se machuca. E infelizmente (ou não) não podemos construir uma redoma ao nosso redor. É por isso que precisamos saber que vez em quando as pessoas vão nos ferir com suas palavras, talvez até com as suas atitudes. O que não podemos permitir é que a palavra e a atitude que ferem, venham demorar demais em nós; venham se estender além do tempo que deveriam ficar, e com isso acabem por estragar a nossa essência.
Nos afetos funciona desse jeito. Quando algum acontecimento nos magoa verdadeiramente perdemos a disposição pra tudo; porque, independentemente do que tenha acontecido, aquilo tem um impacto sobre nós. E nos afeta tanto porque aquilo que talvez tenhamos perdido tinha um significado importante em nossas vidas. O que precisamos é aprender a administrar o tempo que esse impacto vai durar. Afinal, é o nosso ser, a nossa essência que está em jogo!
E acredite! Há sempre uma “feridinha” que precisa ser cuidada.
Há mais em nós precisando de consertos do que podemos perceber! Há muitas “curas” precisando serem feitas! E muitas vezes, é necessário voltarmos ao nosso passado para compreendermos o nosso presente.
Porque às vezes somos tão arrogantes? Será que alguma vez no nosso passado fomos humilhados demais e, porque fomos humilhados demais, temos dificuldades de gerir os momentos em que alguém nos contesta?
Ninguém é por acaso.
A renovação do “ser” acontece através da nossa reflexão; naqueles momentos em que começamos a colocar em ordem os nossos sentimentos desordenados, ou quando começamos a retomar a harmonia que às vezes a vida e os acontecimentos retiraram.
É isso que eu lhe desejo... que no hoje da sua vida, da sua história, você esteja empenhado em curar as feridas do seu ser. Se te machucaram, se te magoaram, se te feriram, não leve isso contigo. Ou melhor, leve! Leve como ensinamento para que você não faça o mesmo com o outro. Mas não permita que isso se transforme em amargura.
A tristeza para ser criativa tem que exercer dentro de nós o movimento da superação. Se estamos tristes, chateados ou magoados, devemos viver estes sentimentos com o propósito de superá-los. Pois, se não superamos, corremos o risco de colocar em nossas vidas um sabor amargo. E este, não faz bem ao coração.Um coração amargurado não consegue perceber a vida, permanece focado sempre nas mesmas coisas. E quando não ampliamos o nosso olhar, aumentamos as chances de infelicitar a nossa experiência de vida.
Eu desejo do fundo do meu coração que hoje a sua essência possa ser fortalecida!
Não permita ser objetificado por alguém, não permita nenhum tipo de desrespeito. Tenha a coragem de gritar a sua independência. Porque a vida te quer livre! Livre e com condições de mergulhar cada vez mais fundo nos seus mistérios.
Corrija o que for necessário, conserte o que estiver quebrado e, sem dúvidas, as suas obras serão muito mais satisfatórias. Porque no final das contas, é isso que desejamos: um coração puro para que a nossa atitude possa ser apenas um reflexo de um gesto que ainda nem começou. O gesto, mesmo antes de acontecer, tem o poder de nos mover. É um movimento que o outro não percebe, mas que nos leva a ir adiante, nos trás coerência. Antes do nosso gesto de amor, existe em nós um coração que ama. E isso precisa ser cuidado o tempo todo. Porque um coração fragilizado demais, machucado demais, pode vir a se tornar um território infértil; e aí, de nada adianta uma atitude.
Quando realizamos um gesto de amor, não é só o outro que é beneficiado, mas nós também somos. Porque o amor, assim como ele faz bem a quem recebe, também faz um bem imensurável a quem o oferece.

20 de fevereiro de 2012

Hoje é dia de Alice! ~

Nenhum dia seria mais oportuno para falar sobre amizade do que hoje. Simplesmente porque hoje é dia de Alice. A Alice que, quando pode, tenta me fazer acreditar em um mundo de maravilhas. Em um universo que talvez ela tenha criado para si mesma, mas que não se importa em dividir comigo. Por vários motivos! E o principal deles seja talvez essa tal de amizade.
Amizade é uma espécie de parentesco, um tipo diferente, espiritual. Aquele que reconhecemos quando nos olhamos nos olhos e percebemos que temos algo em comum. E porque temos algo em comum, a vida se encarrega de nos encaminhar para ficarmos juntos em todo e qualquer momento. Nos momentos de alegria, de dificuldades, de tristeza, de desespero, de esperança.
Amigo é a oportunidade que nos é dada de sermos visitados por uma graça divina. É o território humano onde Deus se manifesta; pelo qual Ele nos fala.
O que mais encabula na amizade é que ela ultrapassa a possibilidade de estarmos juntos, fisicamente falando. Porque às vezes nos sentimos amigos de pessoas que jamais estiveram ao nosso lado; eu mesma tenho amigos que nunca vi, que nunca abracei. Mas isso não os tornam menos importantes para mim!
Amigos não são apenas aqueles que participam diretamente de nossas vidas; não são só aqueles que visitam nossas casas ou nós as deles. O significado dessa palavra é maior... bem maior. E se ainda não for, nós podemos (e devemos) dilatá-lo. Pois não acredito que eu seja a única a pensar que é importante nos reconhecermos um pouco em outras pessoas. Mais que isso! É maravilhoso termos alguém capaz de quebrar os nossos paradigmas, as nossas ignorâncias; e aqueles que tem o poder de realizar isso em nós pode, sim, ser chamado de amigo.
E eles o são porque nos convidam a superar, cada vez mais, os nossos limites. Porque são a palavra que nos orienta, a regra que nos coloca em um caminho menos agreste. São amigos porque nos ajudam a quebrar o que em nós precisa ser quebrado; ou a remendar o que em nós precisa de remendos. E mais, porque ajudam a dar sentido para aquilo que em nós está vazio, nos retirando do caos e fazendo o nosso absurdo ter algum significado.
Com o passar dos dias percebi que, para sermos realmente felizes, precisamos ter raízes. E as nossas raízes verdadeiras são pessoas. Muito mais do que o lugar em que eu nasci, as raízes que eu digo ter são amigos que ainda me conhecem, que ainda me freqüentam. São aqueles que ainda visitam minha alma com as suas influências positivas. Pessoas que com o seu olhar são capazes de me ajudar a compreender o próprio significado da vida.
Nós não podemos permitir que a superficialidade seja nossa regra. E nisso nós precisamos ser antigos! Precisamos cultivar a amizade que nos coloca na perspectiva do crescimento. É importante termos alguém que tenha acesso ao nosso coração, que saiba reconhecer o que a gente precisa, quais são as nossas fragilidades, quais os nossos limites. E reconhecendo isso, através de uma postura amorosa, seja capaz de nos ajudar nesse processo. E o mesmo nós devemos fazer pelos outros.
A vida é assim, sempre uma experiência de generosidade.
Eu tenho cada vez mais a convicção de que saber ser amigo é ter a capacidade de saber fazer um empréstimo. Emprestar o coração, o ouvido, o braço, o ombro, o colo, o olhar. Porque bons amigos são aqueles que se emprestam no momento da necessidade.
A amizade consiste em sermos para o outro aquilo que ele não tem naquele momento. Nós não somos anjos, somos humanos; marcados por limites, por incompreensões, e por dificuldades. Erramos e acertamos, mas somos capazes de amar e sermos leais; é isso que faz de nós um amigo de verdade. É isso que nos faz capaz de podar o que há de ruim no outro com apenas uma palavra. Quem se compromete não permite que cresça dentro do coração que ama algo que possa ser ruim. E é bom termos alguém que também cumpra o papel de nos amar do jeito certo, e de fazer acontecer dentro de nós a ressurreição de cada dia. Por um simples motivo... há dias que nos sentimos meio mortos... e então, precisamos renascer!
Obrigada, Alice, por tantas vezes me fazer acreditar que eu poderia nascer de novo. Obrigada por me reinaugurar, mesmo quando eu estava decretando falência. Obrigada por sempre acreditar em mim e por me apoiar, mesmo que a distância. Obrigada por ser sempre presente e por fazer questão disso! Obrigada pelas palavras, pelo incentivo, e pelo carinho. Sobretudo, obrigada pela amizade!
Eu poderia lhe desejar muitas coisas hoje, poderia lhe dar alguns presentes, mas talvez, daqui a alguns anos, eles já tenham se acabado. O que lhe ofereço hoje, pode (e irá) existir para sempre... pelo menos para sempre enquanto eu viver! São o meu respeito e a minha amizade!


Feliz aniversário!



(18/02/2012)



11 de janeiro de 2012

O que não podemos exigir

Já perdi as contas de quantas vezes tentei entender porque o amor é sinônimo de sofrimento.
Amar faz bem para o corpo e para a alma; nos trás paz de espírito e desperta em nós uma felicidade “sem motivos”. Mas já cheguei à conclusão de que não há como ficar apenas com a parte boa da “coisa”!
O amor é uma forma de doação. Toda vez que amamos, pedimos licença a nós mesmos e permitimos que outra pessoa faça parte do contexto da nossa vida. E acho que é até natural que isso machuque. Dar a outra pessoa um espaço em nossas vidas e, ao mesmo tempo, aceitá-la em sua essência, pode parecer fácil, mas não é!
É isso que nos faz sofrer tanto. Nem sempre o jeito de ser do outro é para nós inteiramente favorável. E ignoramos isto porque quando realmente gostamos de alguém, somos capazes de superar muitas coisas; pelo simples motivo de que o nosso sentimento torna-se infinitamente maior ao que nos desagrada.
O momento derradeiro é quando o que nos desagrada passa a ser superior ao quanto a gente ama. Nesse instante o perdão torna-se mais difícil e com o passar do tempo, escasso. Quando já não existe em nós aquela vontade incontrolável de relevar os erros alheios, é porque a face ruim está sobressaindo.
Não tente se enganar, esse não é um privilégio exclusivamente seu ou meu. Esse descuido pode acontecer com qualquer um ao longo da vida. Se não somos cuidadosos, fazemos prevalecer a nossa parte ruim e, por conseqüência, despertamos o que há de ruim no outro. É por isso que precisamos ter cautela, tato e até um pouco de complacência.
Não é raro o desejo de sermos amados e tratados com carinho e respeito. Mas será que contribuímos para isso? Será que estamos fazendo a nossa parte?
Essa é uma questão que nós precisamos ter coragem para tocar, pois às vezes somos tão difíceis que a possibilidade de despertarmos o amor alheio passa a ser quase impossível. E não é que o outro não queira, mas são tantos os obstáculos e empecilhos que nós mesmos colocamos que o objetivo torna-se inalcançável.
É necessário que tenhamos cuidado para não afastarmos as pessoas que estão ao nosso redor. Cuidado para não exagerarmos, para não forçarmos um querer bem que pode acabar provocando um efeito contrário. E, principalmente, devemos aprender que o amor é natural, a amizade é um processo natural, assim como a aproximação. Se não aconteceu é porque não há naturalidade, espontaneidade. E, dentre outras coisas, amor é algo que não se pode exigir.

9 de janeiro de 2012

Hoje eu apaguei as quatro temporadas de “Felicity” do meu computador. E o fiz com uma certa dorzinha no coração. Eu sei que alguns de vocês vão pensar que sou idiota, outros terão certeza, mas uma (pequena) parcela concordará comigo. Aprendi muito com aquela série. E dentre as outras coisas que me chamaram atenção nela, está o quanto somos capazes de perdoar quando amamos verdadeiramente.
A dinâmica do perdão não consiste em contarmos quantas vezes perdoamos, já que sempre teremos alguém para perdoar; por um motivo muito óbvio: estamos cercados de pessoas que tem valor para nós.
Perdoar transforma-se num desafio no momento em que percebemos que o outro não muda. A partir de então precisamos ir além e passarmos a adotar atitudes que vão, de alguma forma, conscientizar o outro do mal que ele comete contra os outros e contra ele mesmo. É por isso que perdoar não é somente pronunciar um “eu te perdôo”. É uma atitude que deve abranger um pouco mais e representar um motivo que nos leve a reflexão. Porque o perdão não é uma atitude mágica, muito menos uma regra simples de ser vivida. Ao redor dele há uma grande dinâmica existencial.
A regra do perdão permeia sempre a análise de nossas próprias vidas, daquilo que fazemos para machucar ou ofender. E sendo assim, talvez o que nos falte é sermos mais duros; e não só perdoarmos, mas também estabelecermos algumas regras.
Se você me magoa, a decisão de perdoá-lo ou não é minha. Mas além disso, acho que seria bom se estabelecêssemos um limite, pois eu não quero ser magoada novamente.
O que ocorre às vezes é que os outros não entender esse “basta” como verdadeiro. E, geralmente, a culpa disso cabe a nós mesmo; uma vez que é comum colocarmos esta regra e não darmos autoridade a ela. Muitas pessoas não mudam conosco, simplesmente, porque não mudamos também a nossa maneira de exigirmos respeito.
Mas e o perdão? Quantas vezes eu preciso ou devo perdoar?
A resposta é mais simples do que parece: quantas vezes tivermos motivos para isso.
De tudo, o que me causa mais temor é a possibilidade de que o desgaste das mágoas nos faça perder o amor que sentimos um pelo outro. E ao perdermos o amor, o respeito, perdemos também a vontade de perdoar.
Dizem que se conselhos fossem realmente bons, os venderíamos; mas, de qualquer forma, aqui vai o meu:
Se você tem “pisado (muito) na bola com alguém”, cuidado. Você pode sofrer as conseqüências de não ter sido capaz de dar valor ao perdão que tantas vezes recebeu.
Hoje tentei olhar as coisas de outro ângulo, de cima. Ter uma visão um pouco mais imparcial. Com isso percebi que (como sempre) existem dois lados, duas dinâmicas. Primeiro a de quem concede o perdão. Este deve fazer tudo o que for possível manter vivo o amor que trás em seu coração. Pois, se o outro persistir errando, será indispensável ter reservas de amor para continuar ajudando. Segundo, a outra metade, aquele que está sendo perdoado. Este carece também assumir um posicionamento. Não é correto nos acomodarmos diante da expectativa de um possível perdão. E fazermos isso é uma forma de nos comprometermos com o amor que nos é dado.
Amar implica obrigações. E ser amado também.
Se você sabe que existe alguém que te ame e te respeite, isso deve modificar a forma como a interpreta; o jeito de lidar com ela. Você deverá ter mais tato, mais traquejo para não deixar a sua pior parte prevalecer. E esse é um trabalho que deve ser executado todos os dias, todas as horas e de forma exemplar. Porque conviver está longe de ser fácil.
Se o perdão é tão necessário à vida humana, é porque somos frágeis e cometemos muitos erros. Muitas vezes não conseguimos fazer o bem que queremos e terminamos por fazer o mal, involuntariamente.
O que devemos ter sempre em mente é que a experiência do perdão, por mais dolorosa que seja, sempre vale a pena. Nós não podemos desanimar dos outros. Precisamos ter sempre a coragem de reinventar diariamente os nossos significados, os nossos motivos. Olhar para quem amamos e renovar com eles o nosso compromisso. Porque se não o fizermos, corremos o risco de cair na mesmice, na rotina que muitas vezes estrangula o sentimento. E, não sei se felizmente ou infelizmente, o amor é assim... se você não exercitá-lo, ele morre.
Da mesma forma que o exercício fortalece o músculo, o amor fortalece a relação humana. Amigos serão mais amigos, à medida que se amam mais.
E na dinâmica do amor está o perdão. Pois, por mais que queiramos acertar, em alguns momentos o erro vai existir. O que importa é sabermos que isso não exclui a responsabilidade de sabermos como erramos, quando erramos e porque erramos. É esta ciência que vai nos permitir realizar um trabalho em nós mesmos, na tentativa de neutralizar as situações que nos fazem errar... e aí entra a velha questão, a qual eu não me canso de falar: o auto-conhecimento. É importante que a gente conheça o nosso funcionamento. O que nos irrita. O que nos faz chegar ao limite. Só assim poderemos trabalhar nessas questões.
Se eu pudesse fazer um pedido, pediria para que você não se deixe acomodar. Nós precisamos ser muito fortes, em todos os sentidos. Precisamos ter disposição interior para amar e perdoar quantas vezes forem necessário. E acima de tudo, precisamos ter disposição para evitarmos a mágoa. Acho que esta é a grande questão. Muitas vezes desejamos ser perdoados, mas não temos disposição para evitar o que magoa. E não adianta dizer “eu sou assim” para se justificar. Porque quem ama, vive... e quem vive é capaz de mudar.


5 de janeiro de 2012

Flor das Alterosas

Ultrapassando os limites da tela fria do monitor
Manifestou – me uma sensação incrível e inesperada
Apresentando a singela beleza do interior
Nada se acrescenta a essa mineirinha encantada

Jorra simpatia em seus traços delicados
Ornamenta os pensamentos de quem a observar
Brilho intenso da juventude em seus olhos adocicados
Refletindo a infinita meiguice que lhe é peculiar

Única estrela de um tempestuoso nevoeiro
Norteia o destino das situações mais aflitivas
Afasta a tristeza com um sorriso terno e verdadeiro
Transformando os obstáculos em soluções positivas

Umedece o caminho de uma atroz aridez
Provoca forte admiração e um desejo inestimável
Irradia gentileza em seu jeito cândido e cortês
Nulo é o pessimismo nessa figura tão amável

Acalma e protagoniza o mais nobre dos sentimentos
Mostrando carinho extremo em todos os instantes
Bloqueia o fracasso de um fugaz sofrimento
Antecipando – se com alegria incomum e cativante

Martiriza – me a eterna distância que nos separa
Aumentando a expectativa para um encontro futuro
Incapaz de descrever o êxtase que se prepara
Acompanharei os passos da felicidade que procuro.

(Daniel Marangon Jorge)


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A poesia acima foi escrita pelo Daniel (o lindo da foto abaixo! rss).
E sabem o que tem de melhor nela?! É que foi feita para mim (reparem que é um acróstico)!
Preciso dizer que ninguém nunca me dirigiu palavras tão belas quanto essas! Fiquei muuuito feliz com este presente!!!

Obrigada, Dan!!! Você é mesmo um anjo!!!




15 de dezembro de 2011

Foi assim a primeira vez que eu o vi. Abrimos as nossas portas exatamente no mesmo segundo, como se tivéssemos ensaiado isso durante anos. E quando eu olhei para o alto (porque ele devia ter quase uns dois metros de altura) e vi aquele cabelo preto caindo sobre os seus olhos mais negros ainda tive uma certeza: “Ou é casado, ou tem namorada, ou é gay!”. Obviamente um homem como aquele não estaria sozinho. E olha que eu nem sabia do seu gosto pelos Beatles, Roberto Carlos e Almodóvar. Fiquei parada na porta do meu apartamento sem saber se o cumprimentava, sem saber se me apresentava, sem saber se eu, algum dia, iria conseguir parar de olhá-lo. Mas o que aconteceu foi que as minhas dúvidas e a minha mania de sempre tentar achar uma lógica para tudo, me impediram de dizer o meu primeiro “Bom dia, Vizinho!”.
Sem nem olhar para frente, ou para mim (como queiram) ele se foi. Com uma pressa incompreensível para uma preguiçosa manhã de segunda-feira.
Fui trabalhar com aquela cena na cabeça e, nem por um segundo, consegui esquecer a sua testa franzindo ao não conseguir fechar a porta. Não sei explicar, mas a partir desse dia, a única coisa que eu desejava era o seu abraço.
Eu estava bem sozinha. Fazia uns dois anos que tinha terminado um namoro de longa data e, desde então, passei a me sentir melhor desacompanhada. Era bom sentir-me livre e ter mais tempo para gastar entre os meus amigos. Depois de tanto tempo me sentindo presa, me afastando aos poucos de tudo aquilo que eu amava, era bom voltar a viver sem a sensação de estar perdendo algo precioso.
Acho que por isso essas coisas de amor e paixão não faziam mais parte dos meus planos. Definitivamente, eu não queria sofrer pelos próximos dez anos.
Bom, preciso admitir que eu já não era mais a mesma pessoa. Aquele meu romantismo e a vontade de viver “um amor cinematográfico” foram desaparecendo, à medida que as minhas expectativas foram sendo frustradas. “Melhor assim!” – eu pensava – “Vou evitar dores de cabeça”.
Hoje vejo o quanto fui infantil, imatura. Bastou a vida me dar uma rasteira para eu cruzar meus braços “emburrada” e desistir daquilo que sempre acreditei. Bastaram-me algumas lágrimas para que eu me tornasse a pessoa mais cética e amargurada do mundo.
É engraçado como as coisas acontecem em nossas vidas. No momento em que eu estava mais convicta de que era numa nova “Lívia”, meu mundo virou do avesso. E mais engraçado ainda é que, para que isso acontecesse, não foi preciso muita coisa. Ou melhor, quase nada. Para mim foi suficiente olhá-lo. Sentir o cheiro de banho recém tomado. Perceber a sua impaciência pelo franzir da sua testa (risos).
Foi assim que aconteceu. Nenhuma palavra dita, nenhuma troca de olhares, nenhuma jogada de charme, nenhuma segunda intenção, nada! Mas me apaixonei por ele assim que o vi.
Eu não estava preparada para viver aquilo e até achava que não queria, mas tudo foi se tornando inevitável. E chegou um dia em que eu não conseguia mais ficar sem vê-lo (mesmo que fosse pela fresta deixada pela porta entreaberta do seu apartamento, nas noites de sexta-feira, quando saía e voltava apressado para buscar algo que havia esquecido). O pior é que para ele eu não existia. “Deus, como eu podia estar apaixonada por alguém que sequer sabe que eu existo?” Era o que eu perguntava sempre que sonhava e desejava a sua companhia.
Perdi muito tempo sonhando acordada com o vizinho do 202. Até que resolvi tomar uma atitude, mesmo sem saber ao certo qual seria. Gastei o dia tentando adivinhar qual roupa deveria vestir, qual o melhor jeito de pentear o meu cabelo, qual perfume deveria usar. Ensaiei mil e um discursos na frente do espelho, tentei calibrar a minha voz para que não parecesse estridente ou melodiosa demais. E como se não bastasse, ainda precisava de um motivo para chamá-lo.
Fiquei quase cinco minuto parada em frente a minha porta naquele “vou”, “não vou”... sentindo um frio na barriga, o coração bater mais rápido e mais forte a cada passo que eu dava em direção à porta da frente. Por fim levei a mão a campanhinha e toquei. Toquei e me lembrei de que era noite de sexta-feira e que ele não estaria em casa. Abaixei a cabeça sem acreditar como eu poderia ter me esquecido desse detalhe e quando abri meus olhos ele estava lá, bem na minha frente. Levei um susto quando o vi tão perto e acho que acabei por assustá-lo também. E sabe aqueles ensaios em frente ao espelho?! De nada adiantaram porque eu não consegui dizer uma palavra sequer. Eu só consegui sorrir. E acho que foi o sorriso mais sincero da minha vida. E só depois de vê-lo sorrir em retribuição foi que consegui me apresentar. Inventei de última hora que a lâmpada do meu quarto havia queimado e ele, gentilmente, se ofereceu para trocá-la. E em troca eu lhe dei o amor mais verdadeiro e a promessa de sermos felizes juntos.
Amanhã faz onze anos que nos casamos. E mesmo depois de tanto tempo, quando acordo pela manhã e o vejo ao meu lado, sinto meu coração bater como no dia em que o vi pela primeira vez. Eu não tenho certeza de nada em minha vida, exceto uma coisa...
...que quero passar o resto dos meus dias ao seu lado.



12 de dezembro de 2011

Estive pensando sobre as pessoas. Sobre mim, sobre você, sobre esta multidão de desconhecidos que nos rodeia... Enfim, pensei na existência de uma forma geral e em como viver essencialmente pode ser complicado.
Quando digo “essencialmente”, me refiro a sermos fieis a nós mesmos, à nossa personalidade e princípios, à nossa essência. O ruim é que nem sempre isso é possível, por uma infinidade de motivos.
Acho que todos nós, ao menos uma vez, já fizemos algo contra a nossa vontade pelo simples fato de acharmos que tal atitude agradaria alguém. Ou o contrário. Isso é ser desonesto consigo mesmo ou seria apenas generosidade, altruísmo?
Não sei ao certo definir.
A única coisa que sei é que, no momento em que deixamos de viver conforme o que verdadeiramente somos, morremos um pouco por dentro.
É como se despedaçássemos nossa alma e, diariamente, jogássemos um pedacinho dela ao léu.
Ainda acredito na bondade das pessoas, por mais que a vida teime em me provar o contrário. Acredito que podemos sim abrir mão de muitas coisas em prol da felicidade alheia. E admiro quem faz isso! Mas até que ponto?
É louvável fazer o bem, fazer ou ser a felicidade de alguém. Eu só não acredito na felicidade daqueles que se anulam.
Apenas porque ninguém consegue ser feliz quando não se sente confortável em si mesmo, quando frustra suas próprias expectativas.
É claro que podemos abrir mão de muitas coisas por uma causa que nos pareça maior, mas desde quando isso nos faça bem, nos faça completos.
Preservar o que somos pode ser mais complicado do que possamos imaginar. Mais complicado e mais doloroso também. Mas nem por isso devemos deixar de arriscar!
Afinal, precisamos nos edificar, nos completar.
Mais que isso...
Precisamos crescer!




18 de setembro de 2011

Eu andava meio triste. Meio desanimado. Meio esquisito. Completamente assim, pelas metades. E até andei pensando que era disso que sentia falta. Da outra metade de mim que ainda não conhecia.
Eu gostava de sair de casa à noite e andar pelas ruas da cidade sem rumo certo. Gostava de sentir o frio atravessar o meu corpo e, ao mesmo tempo, desejar encontrar alguém que fizesse com que ele desaparecesse em segundos. Era isso, enquanto eu andava sem destino, costumava observar as mulheres que via pelo caminho; provavelmente tentando enxergar nelas a mulher que sempre sonhei encontrar. Não sei você, mas hoje eu acho isso muito engraçado. Fico me perguntando: E se eu encontrasse mesmo alguém próximo do que sonhei? O que eu ia fazer? Me aproximar e dizer: ”Oi, meu nome é Otávio. Estava passando por aqui e reparei em você... Éh... bom... vim dizer que você é a mulher da minha vida!” Deus, como pude ser tão idiota?!
Perdi a conta de quantas vezes fiz isso, de quantos quilômetros eu caminhei. Até que desisti. Não de caminhar, mas de encontrar alguém.
Desisti e me acomodei. E não demorou muito para que eu me conformasse com as noites de sexta na casa dos meus pais a jogar buraco com mais meia dúzia de cinqüentões. Não era exatamente o que eu havia planejado para mim, mas era o que a vida tinha me reservado. Fazer o que senão aceitar?
Mas na última sexta-feira me vi no fundo do poço. Liguei para minha mãe, só para saber se ela precisava que eu comprasse algo no caminho. E sabe o que ela me disse? “Não filho... hoje não vamos jogar. Seu pai me convidou para jantar. Sabe como é né?! É o nosso aniversário de casamento... vamos namorar!” E gargalhou. Ela gargalhando lá e eu aqui com essa vontade de chorar.
Então fui tomar banho. Fiquei ali parado embaixo do meu chuveiro mais de uma hora. Não sei ao certo qual era a minha intenção, se lavar minha alma e corpo, ou disfarçar as lágrimas que, a qualquer momento, podiam aparecer.
Água quente, banheiro abafado e o espelho todo embaçado. Foi inevitável lembrar da minha antiga namorada. Antiga mesmo. Ela tinha a mania de me deixar esperando enquanto tomava um banho muito mais que demorado. E antes de sair do banheiro deixava escrito no espelho um “eu amo você, neném!”. Bobagem não é?! Mas ela sempre me fazia sorrir com essas declarações de amor.
Sacudi a cabeça para tirá-la dos meus pensamentos e arrumar (desarrumar) meus cabelos. Ao menos isso em mim era bom, o cabelo. Sentei na cama e fiquei pensando o que eu poderia fazer para passar (acelerar) o tempo. Sem idéias, resolvi sair para comprar algumas cervejas e uma coisa congelada para comer. Vesti a primeira camiseta que achei no guarda-roupas, calcei meu tênis e fui até o supermercado mais próximo. Voltei para casa reparando na felicidade dos casais que encontrei pelo caminho e sorri ao lembrar que, naquela noite, até meus pais estavam “apaixonados”.
Cheguei em casa, liguei a TV, abri uma cerveja e me esparramei no sofá. E no exato momento em que comecei a gostar de estar ali, mesmo sozinho, a minha campainha tocou. Me bateu um desespero só de pensar que meus pais poderiam ter achado melhor cancelar o programa romântico e me fazer companhia. Pensei em não atender, mas, nem sei porque, mudei de idéia.
Era uma moça, bonita até. Me assustei ao vê-la na porta do meu apartamento e acabei por assustá-la também. Eu não esperava nenhuma visita, ainda mais de quem não conhecia... ainda mais de uma mulher.
Fiquei ali olhando para ela, sem dizer nada, tal qual um idiota. Até que ela deu um sorriso, assim de canto, daqueles meio envergonhados. Olhou para o chão e colocou os ondulados cabelos dourados atrás da orelha. E falou alguma coisa tão baixinho que eu mal pude ouvir. Fico me perguntando se eu não ouvi pelo seu timbre delicado de voz, ou se pelo encanto que o seu jeito de colocar os cachos atrás da orelha me causou. Em poucos segundos fui absorvido pelo perfume que a sua pele branca exalava. Continuei ali, parado. E ficaria ali o resto da noite sem resmungar. Até que despertei com o toque dela em meu braço. Me tocou e me perguntou alguma coisa. Só então consegui falar.
— Desculpe! Mas eu não ouvi o que você falou. – respondi balançando a cabeça novamente, como se quisesse colocar minhas idéias no lugar.
— Eu perguntei se você não tem uma escada para me emprestar?
— Escada? – perguntei quase me desconcentrando de novo.
— É.
— Não... eu não tenho uma escada.
— Hum... – e fez uma cara de decepção que dividiu meu coração em 1001 pedaços.
— Mas para que você precisa de uma escada a essa hora da noite? – perguntei rindo, tentando parecer simpático.
— Bom... É que a luz do meu quarto queimou. Mudei para cá há pouco tempo e ainda não tive tempo de comprar tudo o que preciso. – respondeu com uma voz tão suave, que mais parecia um carinho.
— Se você quiser posso trocar a lâmpada do seu quarto. Afinal, para isso é que serve ter 1,80 de altura. – sorri.
— Se não for muito incômodo...
— Claro que não!
Fui.
Fui e ainda não voltei. E nem vou.
Jamais vou deixar de dormir sentindo o seu perfume ou o calor do seu corpo junto ao meu. Nada nesta vida (nem em nenhuma outra) me fará acordar senão ao seu lado. Hoje não há nada que me dá mais prazer do que poder sentar a sua frente e, enquanto tomo meu café-da-manhã, reparar no quanto suas bochechas ficam rosadas quando digo que me apaixono por ela todas as manhãs; ou o quanto as minhas camisas de algodão caem melhor nela do que em mim. Então ela se levanta e vem caminhando lentamente em minha direção. Senta no meu colo e encolhe as pernas, como se quisesse caber inteira no mesmo espaço que eu. Desliza os dedos em meus cabelos ainda molhados e recosta a cabeça em meu peito. E é nesse momento que gosto de beijar-lhe a testa. É que quando faço isso, ela sempre me olha nos olhos; e tem ainda aquele sorriso meio torto nos lábios, meio sem jeito. E, quase sem sentir, ela prende uma mecha de seus loiros cabelos atrás da orelha. E é aí que sinto aquela “coisinha” no estômago, aquele aperto gostoso no peito e a vontade de passar o resto da minha vida ao seu lado.

25 de julho de 2011

Meia-noite e uma vontade quase insana de por para fora tudo aquilo que sinto. Mas como fazê-lo se nem eu mesma consigo nomear meus sentimentos?!
Eu gostaria muito de compreender a vida e ser capaz de perceber o sentido de todos os seus avessos e direitos, de todas as suas idas e vindas. Mas quanto mais eu vivo, mais percebo o quanto sou ignorante. E mesmo mantendo os meus olhos abertos e minha mente sempre atenta, ainda deixo muito a desejar.
Eu adoraria entender o porque de sermos tão inconstantes, tão contraditórios, tão instáveis. Qual a lógica existente em todos os nossos dilemas?
Acho que já perdi as contas de quantas vezes fiz essa pergunta para mim mesma; e de quantas vezes dormi inconformada por não conseguir encontrar uma resposta.
É incrível, mas a vida ainda me surpreende! E não consigo acreditar que ainda há quem diga que ela não passa de um “museu de grandes novidades”.

7 de julho de 2011

Sinta-me, se for capaz!

Detesto a parte de mim que sempre se sente sozinha.
Sozinha e a espera de algo que nunca vem.
Não me agrada esse aperto no peito, esse nó na garganta.
Detesto esse “quê” de fragilidade que agora se faz tão evidente. Essa insegurança que faz minhas pernas tremerem e meu coração bater apertado, como se estivesse encarcerado.
Talvez eu espere demais das pessoas, do mundo e até de mim mesma.
Queria, ao menos uma vez, ser mais forte do que essa sensação de solidão que me perturba tanto. Conseguir olhá-la de frente e, como quem sabe bem o que quer, expulsá-la de uma vez da minha vida.
Quem dera que nesses momentos a minha própria companhia me bastasse. Mas o vazio que existe em mim é muito maior do que eu mesma.
Bom mesmo seria se a minha felicidade não dependesse de sorrisos, olhares e palavras alheias. Se eu soubesse ser, realmente, indiferente quando necessário. Mas costumo (re)viver, escondida na escuridão do meu quarto, tudo aquilo que me abala. Onde ninguém possa me ver chorar... onde ninguém possa perceber o quanto estou sensível... vulnerável.
O que me consola é saber que ninguém é puramente uma coisa ou outra. É saber que tudo o que nos aflige (ou não), por mais que custe, por mais que deixe marcas, passa.
Então eu não sou somente solidão, não sou puramente esse aperto no peito, não sou inteira insegurança. Sou muito mais que isso. Uma mistura de tudo o que me faz bem e daquilo que também não faz. De tudo o que me agrada, de tudo o que te satisfaz. Mas não sou somente e nem tudo isso.
Então, não perca o seu tempo tentando apenas me “enxergar”. Como já disse o poeta, “o essencial é invisível aos olhos”. Mas, caso queira me conhecer, esteja à vontade para SENTIR quem verdadeiramente eu sou.