4 de dezembro de 2010

Tomando posse!


A pior solidão é aquela que nos ausenta de nós mesmos.
Porque não é suficiente que existam milhares de pessoas ao nosso redor, se nós não ocupamos o nosso lugar, se nós não nos habitamos. E ao invés de possuirmos o nosso domínio, passamos a ser o território das vontades e da satisfação dos outros.
E sem que possamos perceber, começamos a viver e a buscar, exclusivamente, a satisfação alheia.
De repente, quando nos damos conta, começamos a perceber que estamos vivendo tanto “para fora” que nos esquecemos de viver um pouco em nosso interior. É assim que descobrimos que há algo errado acontecendo... porque, mesmo que inconscientemente, sabemos que só é possível viver com qualidade “para fora” quando sabemos cultivar a nossa intimidade.
Para mim, ser ausente de si mesmo, é não ter o cultivo diário daquilo que somos. É não investir, mesmo que conhecendo o seu valor, nas nossas peculiaridades.
Todos os dias roubamos e somos roubados. E é muito difícil estabelecermos um limite.
Quanto do meu território eu posso permitir que o outro entre e tome posse?
Amizade, namoro e qualquer outro tipo de relacionamento baseia-se nisso, na autorização que damos ao outro para que ele entre em nossas vidas.
Mas, infelizmente, não é sempre que as pessoas entram com responsabilidade no território que pertence a nós. Muitas vezes agem desrespeitosamente... muchucam... ferem. E sabendo disso ou não, "vão embora".
E ao partirem levam consigo algo que nos pertence... uma pequena porção da nossa essência. E então, ficamos com aquela sensação de vazio e começamos uma nova busca por algo que possa nos preencher novamente.
Mais uma vez, como em tantos outros momentos de nossas vidas, serão as palavras e a presença daqueles que nos amam que irão nos direcionar. Porque se verdadeiramente nos amam, nos conhecem, nos respeitam e nos aceitam como somos... e assim, vão nos guiar de volta para “casa”...

...porque “há pessoas que nos roubam... e há pessoas que nos devolvem!”. **


(**Frase do livro Sequestro da subjetividade do Pe. Fábio de Melo.)


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Texto especialmente dedicado à Maria Clara... a minha Fofolete!

18 de novembro de 2010

Vivendo levemente!

Hoje fui pega de surpresa pela pergunta mais inusitada que já escutei.
“- Áh, Bruna... me ensina qual a melhor maneira de sofrer?
- Ensinar um jeito certo de sofrer?
- É!
- Mas por que eu?
- Porque você parece que não sofre!”


Nem sei dizer ao certo o que senti quando ouvi esta pergunta. Provavelmente um misto de surpresa e satisfação. Surpresa porque essa era a última coisa que eu esperava escutar, ainda mais hoje. E satisfação por saber que consigo não transmitir aquilo que me faz mal.
No momento da conversa, talvez por ser pega tão desprevenida, não consegui nem responder. Mas sabe quando as palavras ficam ecoando em nossa mente?
Foi assim que cheguei a uma conclusão. Não há receitas que nos possibilitam sofrer de um jeito certo. Há apenas visões diferentes do que nos causa sofrimento. O que muda não é a maneira como se sofre, mas o ângulo do qual enxergamos as adversidades da vida.
Há sofrimentos que são redentores. São aqueles em que descobrimos a razão do sofrer. Por exemplo, a “perda” de alguém, certamente, é um dos acontecimentos que mais nos causa dor. Se vivermos este sofrimento de maneira infértil, ou seja, sofrendo por sofrer, deixando que a raiva manipule os nossos sentimentos, sofreremos dobrado; porque não teremos nos desfeito do que nos causa o mal.
São vários os estágios do sofrimento: amargura, raiva, tristeza, depressão... E é preciso que saibamos viver e administrar cada etapa, caso contrário entramos em um ciclo vicioso, uma etapa provocando e agravando a outra.
Então, qual a melhor maneira de sofrer, já que não existe um jeito certo?
Primeiramente, sendo honesto. Colocar a questão que nos faz sofrer e perguntar: SERÁ QUE VALE A PENA SOFRER TUDO O QUE EU ESTOU SOFRENDO POR ISTO?
Às vezes nós sofremos tanto por coisas que não valem à pena. Perdemos muito tempo de nossas vidas com coisas que em nada nos acrescentam, que são passageiras, e que, na maioria das vezes, nos faz sofrer demoradamente.
Não! A gente precisa administrar isso. E o único jeito de fazê-lo é racionalizando.
O que provoca o sofrimento dentro de nós é a maneira que nós pensamos nele. Uma idéia vai me fazer mal, à medida que eu a alimento dentro de mim. Entretanto, se eu a substituo por outra que me faz bem, logo eu começo a superar a dor. Eu começo a superar o sofrimento.
Então ao buscar esta realização, podemos até ser “felizes” no momento da tristeza, ou melhor, sofrer de uma maneira mais leve. Para isso, basta que olhemos o que nos faz mal de um jeito novo, sem nos amargurarmos tanto, sem estender além do necessário a experiência que poderia ser curta.
Viver de forma mais leve é fazer um pacto de amizade com a vida, e há pessoas que escolhem não fazê-lo.
É preciso que tenhamos consciência de que todos sofrem! Não adianta pensar que é um privilégio seu sofrer, porque não é!
O sofrimento está em todos nós, sem exceção! E não podemos parar a nossa vida às custas disso.
Quando administramos bem o nosso sofrimento, crescemos como pessoas, ficamos mais interessantes e passamos a ter mais conteúdo, mais história para contar.
E o conteúdo da vida está diretamente relacionado com o que nós sabemos fazer com os fatos, com aquilo que nos ocorreu. É isso que mais cedo ou mais tarde a gente vai poder relembrar e contar, e o melhor, aconselhar aqueles que estão passando pela mesma situação e não sabem como agir. Ao cuidarmos bem da nossa vida, ajudamos a administrar a vida do próximo. Porém, de nada adianta querer administrar a vida do outro se você não o faz com a sua.
Primeiro tenha responsabilidade com aquilo que é seu e somente depois preocupe-se com aquilo que transmitirá aos demais!

16 de novembro de 2010

O desafio está lançado!

Um dos maiores desafios que nós precisamos enfrentar na vida, além dos muitos outros que enfrentamos todos os dias, é o de sermos honestos com a gente mesmo.
Enfrentar a desonestidade do outro é até suportável, porque no final podemos sair como vencedores, uma vez que depois que quebramos o poder daquela “traição” podemos restabelecer a ordem e até crescer a partir daquilo. Mas no momento em que somos desonestos conosco, as possibilidades de superação passam a ser mínimas, já que esta mesma desonestidade vai alimentando um jeito de ser.
Quando a mentira vem do outro, eu o olho nos olhos, digo algumas verdades e volto a harmonizar meu coração. Porém, quando a desonestidade está dentro de nós mesmo, então não há como esbravejar.
É preciso que sejamos muito sinceros com nós mesmo, com o nosso processo humano, com as nossas escolhas, com tudo aquilo que permitimos que entre ou não em nossas vidas, pois somos todos cheios de contradições.
Cada um, no íntimo, conhece as contradições que possuem. Somente você sabe onde aperta a pedra no seu sapato... onde está a sua fragilidade, a parede frágil da sua casa, da sua vida... somente você sabe onde é que está a trinca que precisa de reforço.
Mas se formos desonestos, se fingirmos que não sabemos, se fingirmos que não vimos, e começarmos a protelar essa mudança, jamais chegaremos ao resultado que nós merecemos. Quantas vezes as soluções não chegam em nossas vidas?
Não chegam, justamente, porque nos falta a coragem de assumir que erramos. Nos falta a coragem de dizer: “olha... desculpa. Eu errei! Eu não queria errar, mas errei!”
A cada dia acredito mais nos meus princípios: assumir a nossa fragilidade, o nosso erro, não é assinar um atestado de fraqueza. É o primeiro passo, o mais importante, para o nosso sucesso.

15 de novembro de 2010

Uma nova análise da vida!

É impressionante quando nos damos conta de que temos que dar uma resposta para a vida todos os dias. Redescobrir um novo jeito de ser.
É por isso que não acredito nos modelos prontos. Não há como definir-se de forma definitiva. E para o caso fazermos isso, precisamos estar conscientes que devemos tomar cuidado, porque pode ser que o jeito que somos hoje não nos sirva para ser amanhã.
E a razão para isso é muito simples: a vida é dinâmica. E com o decorrer do tempo ela segue nos posicionando de maneira muito diversa; e o que nos cabe é estarmos atentos, porque a resposta a ser dada terá que ser diferente.
A pergunta da vida é sempre a mesma: e agora?
Assim como Drummond, no seu poema, põe o seu personagem contra a parede colocando-o diante de situações que foram desfeitas, ou seja, desconstruindo o contexto de José, a vida também o faz. E então surge a dura pergunta: “e agora, José?” Como é que você reagirá a este processo de desconstrução?

É muito interessante analisarmos a vida a partir do contexto de desconstrução, uma vez que pouco a pouco vamos descobrindo que as nossas estruturas são constantemente modificadas.
A vida tínhamos ontem, hoje já não é mais a mesma. Os relacionamentos de tempos atrás, já não são mais os mesmos. Os amigos de antes, já não são mais os nossos. Tudo vai sendo modificados pelo processo da desconstrução.
Mas não se engane pensando ser este processo algo do tipo pessimista, porque lhe apresentarei o avesso da desconstrução.
A vida desconstrói o tempo todo e não há como fugir disso, mas no avesso dessa desconstrução está a necessidade de reconstruir. Nós só seremos felizes e realizados, à medida que reagirmos ao processo da desconstrução, construindo. E o segredo é não se acomodar nesses destroços, mas reinventar, a partir dele, algo que seja novo.
A sabedoria de interpretar a vida da maneira certa nos é exigida o tempo todo, porque são inúmeros os eventos que nos fazem ruir. Entretanto, essas nossas ruínas devem servir como a base para uma nova reconstrução, porque elas são inevitáveis. E a realização de tudo isso depende da resposta que daremos à vida.
Todos vivem este processo.
No momento em que tomamos consciência de que as nossas respostas precisam evoluir com o tempo, não haverá nada que possa estragar o sabor da vida. E acredite, não existe nenhuma desconstrução que seja definitiva, por mais dolorosa que ela seja.
Quem disse que estamos condenados a ficarmos infelizes só porque um fato desagradável nos aconteceu, só porque uma ruptura precisou nascer?
Não! Isso não é necessário!
Então, eis que chega a hora da nossa luta pessoal. A hora de responder à existência de um jeito novo.
Urge que pensemos no que estamos transformando as nossas desconstruções.
De repente a vida pode mudar e as coisas passam a não ser mais como eram no passado... isso causa um certo medo, e é natural que no momento da desconstrução fiquemos medrosos, afinal, a realidade antiga que nos causava segurança, não causa mais. Esse processo é infinito, porque enquanto estivermos vivos seremos desconstruídos e reconstruídos de maneira cíclica.
E se a desconstrução começar a nos assustar devemos olhar para nossos destroços sempre com algo bom em mente, porque só assim o desânimo não tomará conta de nós. E não podemos permitir que o ele seja maior do que as nossas esperanças.
Depois disso é só arregaçar as mangas e começar a trabalhar para a nossa reconstrução.
É assim que nos superamos.
Olhamos para aquilo que deu errado, olhamos para o que está desconstruído e nos lançamos nessa luta. Porque este é o grande objetivo da vida, que ela nunca seja um motivo para nos desanimar, mas sim para nos fazer ir além.

14 de novembro de 2010

Precisa-se de reforma!

Eu fico o tempo todo intrigada com a questão de o quanto precisamos crescer como pessoas... de como é difícil viver.
Adélia prado, uma das minhas poetizas favoritas, fala muito bem sobre esse dilema de ser humano.
Não é brincadeira ser humano. Ser humano dá muito trabalho e é por vezes doloroso.
É muito doloroso sermos quem somos... lidar com as nossas questões. Todos nós sabemos muito bem disso.
Sabemos, não por termos lido em algum lugar o quanto é difícil viver, mas por sentirmos na pele, todos os dias de nossas vidas, o quanto temos que lutar para dar conta das nossas questões.
Fico me perguntando o que nós precisamos fazer para sermos diferentes, para sermos pessoas melhores?

O que precisamos mudar em nossos corações para que isto possa acontecer?
Creio que cada um de nós tem um cantinho de si mesmo que precisa de reformas. Cabe a nós consertá-lo.
Porque se não reparamos o pequeno detalhe, o tempo nos transforma em uma grande peça estragada. E este é, realmente o nosso grande problema, já que não podemos nos desfazermos de nós mesmos e comprar um novo exemplar.
É a partir do que já existe que nós podemos mudar. Trata-se de trazer o brilho do que é novo para algo que esteja velho e desgastado.
O ser humano tem jeito. Nós temos conserto. Às vezes nos desanimamos e até pensamos que já é tarde demais, mas não devemos acreditar nisso. Basta descobrir o que em nós necessita de reparo e não ter medo da luta.
Trabalhe para que o que está danificado e fragilizado seja consertado. Mas não se esqueça, é preciso ser cuidadoso, porque às vezes a nossa tentativa de conserto acaba por destruir o pouco que ainda resta.
E para não errar, apele para aqueles que o guardam no coração... para aqueles que o amam incondicionalmente. Acredite, você jamais conseguirá sem eles...
...Porque somente quem nos ama, nos reforma do jeito certo.

Todo mundo sente medo.
O medo faz parte da vida humana e nós o identificamos no momento em que sabemos que somos limitados.
Há sempre uma expressão do medo onde há um limite.
Esse aprendizado não advém apenas da teoria, mas da prática também. É na carne que experimentamos a força do medo.
E você já deve ter passado por isso várias vezes, assim como eu também passei.
Sentimos medo quando percebemos o quanto somos pequenos diante da vida, diante dos acontecimentos... e quando a vida parece grande demais para caber dentro do nosso coração.
E então tivemos medo do futuro... do dia de amanhã.
Tivemos medo das pessoas, medo de nós mesmos.
Tivemos medo de enfrentar situações, de cruzar fronteiras... de ir para outros lugares, de recomeçar um novo tempo.
Nós já tivemos (e termos) medo de muitas coisas. E não há como fugir disso, porque o medo é universal.
E não pense que há um problema nisso.
Há alguns especialistas que dizem que o medo faz parte do nosso processo de sobrevivência. A gente sobrevive porque o medo também nos ajuda a ter cautela. O grande problema é quando ele se transforma no obstáculo para a nossa realização... quando passam a ser maiores do que nós.
Quando permitimos que ele comece a reger a nossa vida criamos uma situação nociva, porque ele nos impedirá de realizarmos nossos desejos por termos medo de arriscar... de ir além...
Talvez o medo que nos atinge seja uma conseqüência da vida moderna; mas de uma coisa tenho certeza, ele precisa ser olhado de frente para que, na medida certa, nos ajude a alcançar os lugares aos quais necessitamos nos encaminhar.

6 de novembro de 2010

Carpe Diem!


Aproveitar o dia.
É essa a decisão que tomamos quando nos encontramos cansados de tudo aquilo que nos tira a paz. E então passamos a não nos preocuparmos, excessivamente, com o que nem tem lá tanta importância.
Traduzindo: deixar que a vida, levemente, nos leve sem a preocupação de termos que saber aonde vamos chegar.
Há quem diga que todos os dias, assim que acordamos, recebemos um novo presente de Deus. E é triste ter que admitir que estes presentes chegam mesmo, mas não são vistos. E para justificar a ausência da sensibilidade, dizemos que estamos ocupados demais e que não é hora de desperdiçar o tempo com bobagens!
Bobos somos nós, que ignoramos a verdade de que o nosso tempo só é bem aproveitado quando somos felizes. Funciona mais ou menos assim: quanto mais sorrisos colocamos em nossos lábios, quanto mais leve ficar a nossa alma, mais vida teremos para viver. Porque a quantidade de tempo que se ganha é diretamente proporcional ao quão feliz você é.

Por muito tempo acreditei (e acho que isso é comum a quase todos) que a felicidade era a coisa mais complicada de se conseguir. À medida que fui vivendo e, principalmente, amadurecendo percebi que eu estava completamente enganada. Felicidade, mas felicidade mesmo, não condiz com nada que seja muito complexo.
Ser feliz depende de nos sentirmos plenos. E a plenitude, aquela sensação de que nada mais nos falta, anda de mãos dadas com tudo aquilo que é simples.
É justamente por isso que ao pararmos para observar o que acontece ao nosso redor, sorrimos sem que haja um motivo aparente. São nas pequenas coisas, geralmente as que passam despercebidas, que estão guardadas as sementes da paz de espírito. Da plenitude. Da felicidade.

Muitos ainda desconhecem, ou ignoram, o poder de um abraço, de um beijo, de um aperto de mão e até de um “bom dia”, quando este soa realmente sincero. Sentir os pés tocando a água salgada do mar, deixar que o azul do céu nos abrace, pular em um rio de águas claras, andar de bicicleta sentindo o vento despentear os nossos cabelos, tomar banho de chuva, jogar conversa fora com os amigos... rir com nossos amigos...
São estes os detalhes que nos fazem sorrir diariamente... são estes os presentes divinos aos quais havia me referido.
E se me permitem um conselho, abra você também os seus. Principalmente o que recebeu primeiro... aquele que já está com o embrulho apagado e empoeirado de tanto ser deixado de lado. Abra-o e use-o. É com a sensibilidade que você encontrará dentro dele, que poderá, finalmente, enxergar todos os outros embrulhos que já estão ao seu redor.
Permita-se ser feliz.
Viva plenamente.
Colha cada dia como se fosse o primeiro.
E não se esqueça, CARPE DIEM!

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Este texto é dedicado à minha amiga Camila. Uma das pessoas que me fez perceber a importância de aproveitar o presente que é cada dia!

31 de outubro de 2010

Em tons de cinza


O dia amanheceu há horas, mas ainda vejo nele um “quê” de escuridão. Não consigo enxergar a sua luminosidade nem sentir o calor do sol sobre minha pele.
O que sinto é o leve toque de uma brisa úmida que, lentamente, anuncia a chegada da chuva.
Particularmente, adoro dias chuvosos. Talvez por ter a impressão de que, em poucos minutos, sou transportada para um outro mundo. Um mundo onde tenho a sensação de estar só e onde, finalmente, eu possa me voltar um pouco para mim mesma.
Talvez por vir do céu é que a chuva seja assim tão mágica. Bastam apenas algumas gotas para que as pessoas comecem, vagarosamente, a desaparecer. E enquanto todos se recolhem em suas residências, parecendo temer serem dissolvidos, eu trato de escancarar minhas portas e janelas para que eu consiga me ver com clareza... me perceber com riqueza de detalhes.
Dias feito o de hoje implantam em mim uma certa melancolia. Trazem consigo uma necessidade de querer estar só para poder pensar em tudo o que, todos os dias, faço questão de esquecer.
E graças à mania de deixar para depois, agora percebo que tenho muito em que pensar. Muito para rever. Muitas decisões à tomar.
Permaneço então a me questionar sobre cada detalhe, a fim de conseguir encontrar uma saída... uma direção que talvez nem seja a mais correta. Continuo com a tentativa, por vezes frustrada, de preservar aqueles que estão ao meu redor, e talvez esse seja o meu maior erro. Porque quando mais eu os protejo, mais me afundo nesse emaranhado de dúvidas e sair dele torna-se quase um milagre.
Sigo então me perdendo por entre os caminhos tortuosos da vida. Me perdendo na tentativa de me encontrar. Errando na esperança de um dia acertar.
Chego então à conclusão de que não sei mesmo o que fazer. Estou de mãos e pés atados. E até tenho vontade de jogar tudo para o alto e recomeçar de onde eu não deveria ter parado, mas tomar essa decisão exige uma irresponsabilidade que eu não tenho.
De tudo, o que fica é a certeza de que nada foi em vão. Houve e ainda há um propósito para tudo.

28 de outubro de 2010

Um dia como porta-voz!

Aqui estou com a difícil missão de tentar expressar sentimentos que não são exclusivamente meus.
Foi a primeira vez que alguém me pediu para escrever sobre seus próprios sentimentos. Tentarei, humildemente, corresponder a esta expectativa.
Eis o tema:
“O valor que há em aproveitar o amor e as pessoas amadas.”
A função desse texto não é explicar a importância desse sentimento, mas a diferença que há entre dá-lo ou não o seu devido valor.
Não acredito quando ouço alguém dizer que não sabe o que é o amor. Não acredito porque a capacidade de reconhecê-lo é inerente até àqueles que são considerados irracionais. Nasce conosco e fim de conversa. Se não o reconhecêssemos não haveria relacionamentos duradouros nem amizades verdadeiras.
Cada um de nós vem ao mundo com um dispositivo reconhecedor de amor. Ao ser ativado ele causa algumas alterações fisiológicas como o aumento das frenquencias cardíaca e respiratória, sudorese e uma revoada de borboletas estomacais.
Reconhecer, todos reconhecem... o que é passível de escolhas é a etapa seguinte: dar ou não o seu devido valor.
Quando nós humanos começamos a povoar o planeta, fomos reconhecidos como seres superiores, tendo em vista a nossa capacidade intelectual. E talvez, graças à habilidade de sermos racionais, recebemos como prêmio adicional o livre arbítrio; aquela “lei” que diz que somos donos e responsáveis pelo nosso destino.
A possibilidade de nos sentirmos senhores de nós mesmos trás consigo uma carga ‘divina’ e, muitas vezes, a falsa impressão de que somos auto-suficientes.
A vida é cheia de escolhas e a maioria delas envolve uma renúncia. Infelizmente, nem todos reconhecem que para se agarrar alguma coisa, é necessário que nos desprendamos de outra. E assim, permanecem na mesmice. Ao contrário do que muitos pensam, o ato de renunciar alguma coisa não significa desvalorizar, mas sim uma organização de prioridades. A renúncia também não é sinônimo de esquecimento; e foi para esse tipo de ocasião que foram criadas as lembranças... partes importantes de nossas vidas que ficam seguramente guardadas em nossa memória e que, por nos fazerem tão bem, são facilmente acessíveis.
Dentre todas as escolhas que a vida nos impõe, acredito que a mais importante seja a que nos permite aproveitar aqueles que amamos, porque de nada adianta amarmos em silêncio. O amor foi feito para ser anunciado, difundido e disseminado em proporções epidêmicas. E acredite, não há razões lógicas que possam justificar a vontade de se esconder um sentimento tão sublime.
Amar faz bem, mas os benefícios de compartilharmos o nosso amor com outra pessoa é exponencialmente superior. Porque ao fazê-lo passamos a enxergar o mundo de outro ângulo... um ângulo que nos permite a aquisição de novas habilidades. Dentre as mais importantes está a capacidade de, a partir de então, conseguirmos observar detalhes queantes eram imperceptíveis. E é justamente essa “sensibilidade à flor da pele” o principal ingrediente para nossas overdoses de felicidade. É ela a responsável por nos fazer sorrir diante das reações mais corriqueiras da pessoa amada; e que também nos faz sentirmos completos ao simples toque das mãos. Além disso, esta sensibilidade exacerbada nos coloca em um estado permanente de alerta, o qual nos permite identificar qualquer tipo de alteração, mesmo as mais sutis, que geralmente passam despercebidas diante dos olhos alheios.
E agora me responda, de que vale amar uma pessoa, amar muito, se esse amor não se concretiza? O que se ganha amando alguém sem poder compartilhar com esta pessoa a sua vida? De que vale amar sem abraços, sem beijos e sem confidências? O que ganhamos nos privando de nos sentirmos felizes diante das coisas mais simples da vida? Se temos a chance de andarmos em um parque de mãos dadas e rindo das coisas mais bobas, por que escolher percorrer o mesmo trajeto sozinhos?
Na vida tudo perece, apenas o amor é capaz de frutificar e, assim, existir por toda eternidade. O que realmente vale na vida é valorizar o amor e respeitá-lo. E de que forma o fazemos?
Muito provavelmente quando reconhecemos que não existimos sozinhos... e que cada um de nós somos metades que buscam incansavelmente a unidade. Dois que passarão a ser um. E o respeito está no fato de concretizarmos o sentimento... na vontade incontrolável de torná-lo real!
Como já havia dito anteriormente, a vida é feita de escolhas e o fato de se escolher viver um grande amor não é sinônimo de sucesso. Muitas vezes, diante das adversidades, ele é interrompido, o que pode gerar sérios danos ao nosso coração (e repare que eu disse interrompido porque, para mim, o amor não se conjuga no passado). Mas a vida sempre segue adiante. O mundo não pára... e mais importante, ele dá voltas; e a partir de então, tudo pode acontecer! E enquanto o universo conspira, poderemos recorrer às nossas lembranças. Àqueles momentos que ficaram na história e que jamais serão esquecidos... momentos para os quais nos teletransportamos quando provar, novamente, a felicidade mais sincera e verdadeira se faz necessário.
Só se vive um amor plenamente, valorizando-o e respeitando-o, quando não existe em nós o medo de se arriscar.
A única coisa que realmente importa é que sejamos felizes... e acredite, a sua felicidade só depende de você!
Faça a sua escolha!

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Escrevi este texto a pedido de uma GRANDE amiga, Juliana ("Jujuba")... Espero que goste, Juh!

Amo você!

27 de outubro de 2010

De volta à atividade!

Queridos leitores,

andei um pouco sumida, e peço desculpas por isso, mas por causa de alguns probleminhas técnicos acabei ficando sem internet.
Bom... mas isso não vem ao caso! O que importa é que estou de volta!

O texto que vou postar hoje foi escrito no dia 01 de outubro... meu niver!
Acho que vocês não vão entender nada... mas não quero deixar de postá-lo!

Um grande abraço!!!


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DE REPENTE, 21!

Há vinte e um anos cheguei nessa terra de gigantes e, desde então, venho tentando conquistar e ocupar o meu lugar.
Tenho aprendido muito e talvez até ensinado alguma coisa.
Tenho aprendido a viver... aprendido a relevar tristezas e sofrimentos... e, principalmente, valorizar o que sei fazer de melhor: SORRIR. Entretanto e contraditóriamente, hoje sou somente lágrimas.
Acho que somente Deus mesmo para saber tudo o que vivi e todas as “barras” que passei. Só Ele para conhecer o que, realmente, há em meu coração. Mas mesmo com todos os percalços, acho que consegui ser feliz em alguns momentos... momentos estes em que o meu sorriso não era somente uma decoração superficial, e sim a expressão mais sincera da minha alma.
O dia de hoje está sendo inédito. Pela primeira vez, ao longo desses anos, não fiquei ansiosa... pela primeira vez não estou esperando nada, de ninguém.
Talvez isso soe um pouco pessimista, e para ser bem sincera, é assim que eu também estou classificando esta novidade. Porém, a vida me ensinou a sempre, independentemente das circunstâncias, procurar o lado bom das coisas. E foi pensando assim que cheguei à conclusão de que não esperar pode me causar uma surpresa ainda maior.
Sempre cometi o inevitável erro de esperar dos outros tudo aquilo que eu seria capaz de fazer... infelizmente este pensamento me acarretou uma série de decepções, porque acreditava que o fato de não agirem como eu, era sinônimo de desvalor.
Me enganei... e talvez hoje eu tenha compreendido isso melhor. Não há pessoas iguais, nem pessoas que ajam igual... nem tão pouco que pensem ou sintam igual.
Sou diferente de todos e cada um diferente de mim. Cada qual com as suas peculiaridades... com as características que os fazem únicos... únicos e especiais.
Não cometerei mais a injustiça de julgar os outros segundo as minhas ações! Não irei mais sofrer por antecedência! A partir de hoje a minha preocupação será viver um dia de cada vez! Um dia após o outro... banindo completamente a intenção de retardar ou apressar os fatos. Deixarei a vida seguir... seguir e me levar.